Discípulos de Cristo Jesus

Vivendo Para a Glória de Deus!

A vida cristã deve ser vivida para a glória de Deus somente. Em tudo o que nos empenhamos e fazemos devemos procurar a glória de Deus. Paulo chegou a dizer que até mesmo as coisas mais curriqueiras da vida como o beber e o comer devem ser feitos para a glória de Deus (1Co 10.31).

Nenhum de nós viveremos na plenitude se não vivermos voltados para a glória de Deus. Pois, a plenitude da vida está em viver para a glória de Deus. A glória de Deus produzirá a verdadeira vida plena de satisfação em Deus.

O pastor e escritor John Piper foi feliz quando afirmou que Deus é mais glorificado em nós quanto mais nos alegramos Nele. A glória de Deus e nossa alegria são faces de uma mesma moeda. Quando procuramos verdadeira satisfação vislumbramos e refletiremos a glória de Deus. Pois, a verdadeira alegria resulta na contemplação apaixonada do único ser no universo que tem toda a glória e beleza. A contemplação da beleza de Deus nos deixa encantados e sobressaltados ante inenarrável resplendor.

O Breve Catecismo de Westminster indaga: Qual o fim principal de todo o homem? Ele mesmo responde: O fim principal de todo homem é glorificar a Deus e se alegrar Nele para sempre.

A nossa alegria e a glória de Deus é o propósito de Deus para nossas vidas e o alvo da vida cristã. Toda a plenitude da vida cristã se resume na contemplação do Ser eterno de Deus na Pessoa maravilhosa de Cristo Jesus pela obra persuadora e renovadora do Espírito Santo.

Soli Deo Gloria!

quarta-feira, setembro 13, 2006

O Que é Profecia Bíblica?


A profecia é a prova convincente não apenas da existência de Deus, mas também de que a Bíblia é exatamente o que diz ser – a Palavra de Deus.Definimos profecia como o plano do beneplácito da vontade de Deus, presente e futura.

As profecias, sendo parte da vontade soberana de Deus, são apresentadas de duas maneiras nas Escrituras Sagradas: a primeira chamamos de profecias revelativas e a segunda denominamos profecias preditivas[1].

Por profecias revelativas nos referimos aquelas que implicavam na proclamação da Palavra e da vontade revelada de Deus ao Seu povo[2]; também, pode ser entendidas como profecias a “curto prazo”. Estas compreendiam, no seu escopo, ensino, evangelização e pregação de reavivamento, insistindo com o povo para que deixasse o pecado e vivesse de maneira justa além de adverti-lo do que aconteceria se não se arrependesse. Essa era de longe a principal parte do ministério do profeta[3].

A Profecia declara o Plano de Deus de antemão. A Profecia é história escrita de antemão.Profecias preditivas podem ser compreendidas como profecias “a longo prazo”. As predições, entretanto, não eram predições dos próprios profetas. As Escrituras deixam claro em 2Pe 1.20,21 que “...nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo”. A mensagem dos profetas não era deles, mas, sim de Deus. É Deus quem levanta os profetas (cf. Ex 3.1-2; Is 6; Jr 1; Ez 1–3; Os 1.2; Am 7-14,15; Jn 1.1).

Esta é considerada o aspecto da profecia mais difícil de ser interpretado. Mas dado o número de previsões sobre o futuro dentro da Bíblia que é tão grande em ambos os Testamentos, pode servir de silenciador repreendendo a qualquer um que hesite em estudar essas previsões.
De acordo com os cálculos de J. Barton Payne, há 8.352 versículos que contêm algum tipo de previsão, dentro de um total de 31.124 versículos na Bíblia toda – a surpreendente porção de 27% da Bíblia trata de previsões futuras. Payne calculou que o Antigo Testamento contém 6.641 versículos sobre o futuro (de um total de 23.210 versículos, ou seja, 28,6%), enquanto o Novo Testamento apresenta 1.711 (de um total de 7.914, ou seja, 21,6%). Ao todo, esses 8.352 versículos discutem 737 diferentes tópicos proféticos! Os únicos livros que não contêm previsões são Rute e Cantares no Antigo Testamento e 2 e 3João no Novo Testamento. Os outros 62 livros da Bíblia aparecem uma ou mais vezes dentro dos 737 tópicos reunidos por Payne[4]. Assim, fica claro que a profecia sobre o futuro não pode ser vista superficialmente, se queremos fazer justiça a Bíblia da forma como Deus quis compô-la.

[1] Alguns expositores chamam respectivamente de profecias declarativas (ou, profecias de proclamação) e profecias preditivas (ou, profecias de predição).
[2] Os profetas eram mediadores para fazer cumprir a Aliança Divina. Moisés foi o mediador da Lei de Deus quando Deus a anunciou pela primeira vez, e, portanto, é um paradigma (modelo) para os profetas. Os profetas, por sua vez, são os mediadores, ou porta-vozes de Deus, no tocante à Aliança. Através deles, Deus relembra às pessoas nas gerações depois de Moisés que, se a Lei for guardada, haverá bênçãos como resultado; senão, seguir-se-á o castigo. As profecias proclamavam a vontade de Deus para o povo. Esta vontade estava expressa na Lei. Toda a profecia proclamativa baseava-se na verdade outrora revelada a Moisés.
[3] Max Anders em Profecia Bíblica em 12 Lições – Edição: 2001 – Editora Vida.
[4] J. Barton Payne em Encyclopedia of Biblical Prophecy: The Complete Guide to Scriptural Predictions and their Fulfillment (Nova York: Harper and Row, 1973), pp. 631-82. Citado por Walter C. Kaiser, Jr em Introdução à Hermenêutica Bíblica – Editora Cultura Cristã. 1ª Edição: 2002.

sexta-feira, agosto 11, 2006

A Necessidade do Estudo da Teologia Sistemática


Leitura Seleta: 1Pe 2.2; Sl 119.105

Há, de fato, uma necessidade de estudar teologia? Não basta que eu simplesmente ame a Jesus? Para algumas pessoas, a teologia não é necessária, como também indesejável, podendo ser facciosa. Há, no entanto, algumas razões pelas quais tal estudo não é opcional. Creio que estudar teologia é um caso de vida ou morte!

01. Crenças Doutrinárias Corretas são Essenciais no Relacionamento entre o Cristão e Deus.

Assim, por exemplo, o autor de Hebreus disse: “Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que Ele existe, e que é galardoador dos que o buscam” (Hb 11.6). Também importante para um relacionamento adequado com Deus é a crença na humanidade de Jesus; João escreveu: “Nisto conhecereis o Espírito de Deus: Todo o espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus” (1Jo 4.2). Paulo destacou a importância da crença na ressurreição de Cristo: “A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos serás salvo. V.10: Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação” (Rm 10.9-10).

02. A Doutrina é Importante por causa da Ligação entre a Verdade e a Experiência.

Nossa época atribui altíssimo valor à experiência imediata. Assim, muitos utilizam drogas por causa da excitação ou do estímulo que elas oferecem. E o que dizer em nosso meio, em que muitos buscam uma satisfação imediata nos movimentos religiosos. As pessoas estão atrás de uma experiência divorciada da revelação das Escrituras. É experiência do tipo “ruivo santo”, “vômito santo”, “gargalhada santa” e assim a lista cresce. São pessoas que enaltecem suas experiências acima da Palavra de Deus. A doutrina é importante porque corrige esses abusos. A doutrina dar consistência para as pessoas; dar-lhes verdadeiras experiências com Deus. Precisamos casar a doutrina e a experiência cristã. Muitos tentam divorciá-las. Mas o que Deus juntou não o separe o homem. Um conhecimento correto de Deus – revelado nas Escrituras por um estudo cuidadoso – proporcionará experiências douradoras. Mas muitos preferem, negligenciando o estudo da teologia, estas experiências subjetivas. Como já falou John MacArthur em uma de suas palestras: “Se realmente eles tivessem tido um encontro com Deus, eles não estariam rindo”.
O simples sentimento agradável em relação a Jesus não pode ser divorciado da necessidade de saber se Ele é genuinamente o Filho de Deus. A esperança quanto ao futuro depende de saber se Ele ressuscitou e se nós vamos ressuscitar algum dia.
Uma compreensão correta da teologia deságua no oceano das experiências profundas com Deus. Creio na ortopraxia, mas também na ortodoxia. Aquela depende dessa; essa resulta naquela. Não podem estar dissociadas. Não pode haver hiatos entre as duas, elas devem andar de mãos dadas. Ortodoxia sem ortopraxia leva-nos a esterilidade; ortopraxia sem ortodoxia leva-nos a histerias. Essas irmãs gêmeas precisam ser afirmadas em nossos dias como inseparáveis. Um ou outro mal pode vir sobre os negligentes. A igreja está de pé ou cai com estas duas realidades.

03. A Compreensão Correta da Doutrina é Importante porque hoje há muitos Sistemas de Pensamento Religiosos e Seculares que Disputam nossa Devoção.

Abundam filosofias e psicologias populares de auto-ajuda, e muitas delas camuflada com uma terminologia cristã. Entre as opções religiosas há grande número de seitas e cultos, além de enorme variedade de denominações cristãs. E religiões alternativas são encontradas não só em outros países, mas também possuem inúmeros adeptos no Brasil. Temos sistemas com um toque do evangelicalismo. Temos a teologia da prosperidade que tem causado males terríveis em nossos arraiais. Muitos seguem abertamente esses ensinamentos que levam muitos cativos para uma religiosidade superficial. Esses sistemas geram crentes descompromissados com Deus e com Sua Palavra. Porque as pessoas estão mais preocupadas em que Deus supra as suas necessidades egoísticas do que em labutarem pela verdade de Deus, estudando-a.
Diz-se que a maneira de lidar com as várias alternativas é fazer uma refutação minuciosa e uma exposição sistemática de suas falhas. Uma abordagem positiva em que se ensinam os pontos de vista do cristianismo parece, no entanto, preferível. Essa abordagem fornece uma base para a avaliação das posições alternativas. Conhecendo o verdadeiro é fácil identificar o falso e vil.

04. A Teologia é Necessária por causa do Instinto Organizador da Mente Humana.

Esse princípio organizador faz parte de nossa constituição.
A mente não se satisfaz apenas em descobrir certos fatos a respeito de Deus, do homem, e do universo: ela deseja conhecer as relações entre essas pessoas e coisas e organizar suas descobertas em forma de um sistema.
Com razão aqui queremos dizer não simplesmente os poderes da lógica do homem ou sua capacidade de raciocinar, mas seus poderes cognitivos, - sua capacidade de perceber, comparar, julgar e organizar. Deus dotou o homem com a razão e o que é errado não é o uso dela, mas sim o abuso.
(1) A razão é o órgão ou capacidade de conhecer a verdade. A Razão Intuitiva nos fornece as idéias básicas de espaço, tempo, causa, substância, desígnio, direito, e Deus, que são as condições para todo conhecimento subseqüente. A Razão Apreensiva recebe fatos a ela apresentados para cognição. Entretanto, dever ser lembrado que há uma diferença entre conhecer e compreender uma coisa. Sabemos que uma planta cresce, que a vontade controla os músculos, que Jesus Cristo é o Deus-homem, mas não compreendermos muito bem como tudo isso possa ser.
(2) A razão deve julgar a credibilidade de uma apresentação. Com “crível” queremos dizer verossímil. Há coisas que é claramente incrível, como a vaca que pulo sobre a lua, e as estórias da carochinha em Alice no País das Maravilhas; e é tarefa da razão declarar se uma apresentação é digna de crédito. Não é incrível com exceção do impossível. Uma coisa pode ser estranha, inexplicável, ininteligente, e mesmo assim perfeitamente crível. A menos que estejamos dispostos a crer no incompreensível, não podemos crer em nada. O impossível é aquilo que envolve uma contradição que é inconsistente com o caráter conhecido de Deus; que contradiz as leis da crença com a qual Ele nos dotou; e que contradiz alguma outra verdade bem autentica[1].
(3) A razão deve julgar a evidência de uma apresentação. Como a fé envolve aceitação, e aceitação é convicção produzida por evidência, segue-se que fé sem evidência é irracional ou impossível. Assim, a razão deve examinar as credencias das comunicações que professam ser, e de documentos que professam registrar, tal revelação. Ela deve perguntar: Os registros são genuínos ou espúrios, são puros ou mistos? Esta evidência deve ser apropriada à natureza da verdade sendo considerada. Verdade histórica exige evidência histórica; verdade empírica, o testemunho da experiência, verdade matemática, evidência matemática; verdade moral, evidência moral; e “as coisas do Espírito”, a demonstração do Espírito Santo[2].
As deduções que fazemos de declarações das Escrituras não são iguais às declarações das Escrituras propriamente ditas quanto a certeza ou autoridade, pois nossa capacidade para raciocinar e tirar conclusões não é o padrão último da verdade – só a Bíblia o é.
A razão não é a autoridade máxima, como diz o racionalismo. A razão deve se subordinar ao juízo das Escrituras – não o contrário.
Não é pecado, como podemos deduzir pelo que foi dito acima, agir com a razão. A racionalidade, porém, não deve ser confundida com o racionalismo. A racionalidade é o processo de abordar problemas de forma a corresponder ao bom senso. O racionalismo é aquela crença que coloca a razão humana como a mais elevada das autoridades. Alegam os racionalistas que, com o tempo, o gênio humano desvendará todos os segredos do universo, e conduzirá o planeta a uma vida de paz, saúde e prosperidade para todos. Que Deus tenha misericórdia de um mundo entregue à razão humana.
[1] Por exemplo, crer que um triângulo é quadrado. Crer, que Deus sendo o Todo-Poderoso, é capaz de mentir. Escrever certo em linhas tortas. Assim por diante.
[2] Compilado de Henry Clarence Thiessen, Palestras em Teologia Sistemática – IBR.


05. A Necessidade da Teologia Baseia-se na Relação da Verdade Sistemática com o Desenvolvimento do Caráter.

A verdade integralmente digerida é essencial ao desenvolvimento do caráter cristão no indivíduo e na Igreja.
Os mais fortes cristãos são os que têm a mais firme segurança nas grandes doutrinas do cristianismo; as épocas heróicas da Igreja são as que têm mais consistente testemunho delas (Ap 3.10).
Para a conversão é necessário algum conhecimento – pelo menos do pecado e de um Salvador; a união destas duas verdades é o começo da teologia. Todo o subseqüente desenvolvimento do caráter está condicionado à evolução do conhecimento. Cl 1.10: “Para que possais andar dignamente diante do Senhor, agradando-lhe em tudo, frutificando em toda a boa obra, e crescendo no conhecimento de Deus” (ênfase acrescentada). O texto grego reza: au0cano/menoi th~ e0pignw/sei tou~ Qeou~. Segundo Strong significa “crescendo através do conhecimento de Deus”; o dativo instrumental representa o conhecimento de Deus como orvalho ou a chuva que alimenta o desenvolvimento da planta; cf. 2Pe 3.18 – “crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo”. Para os texto que representam a verdade como alimento ver Jr 3.15 “vos apascentem com conhecimento e inteligência”; Mt 4.4 – “Não só de pão viverá o homem, mas de toda Palavra que procede da boca de Deus”; 1Co 3.1, 2 – “como crianças em Cristo... leite vos dei a beber, não vos dei alimento sólido”; Hb 5.14 – “o mantimento sólido é para os perfeitos” e 1Pe 2.2,3 – “Desejai afetuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite racional, não falsificado, para que por ele vades crescendo; Se é que já provastes que o Senhor é benigno” (Sl 34.8). O caráter cristão apóia-se na verdade da Palavra de Deus como alicerce; ver 1Co 3.10-15 – “pus eu... um fundamento e outro edifica sobre ele”.
Os homens agem de acordo com aquilo em que realmente crêem e não de acordo com aquilo em que eles simplesmente dizem crer.
A teologia não apenas nos ensina que tipo de vida deveríamos viver, mas nos inspira a viver dessa maneira. Em outras palavras, a teologia não apenas indica as normas de conduta, mas também nos fornece os motivos para tentarmos viver de acordo com essas normas.


06. A Necessidade da Teologia Sistemática baseia-se na Natureza das Escrituras.

A Bíblia é para o teólogo o que a natureza é para o cientista, um conjunto de fatos desorganizados ou apenas parcialmente organizados. Deus não achou necessário escrever a Bíblia na foram de Teologia Sistemática; é nossa tarefa, portanto, ajuntar os fatos dispersos e coloca-los sob a forma de um sistema lógico para uma compreensão ampla das verdades reveladas. Há certamente algumas doutrinas que são tratadas com relativa extensão em um único contexto; mas não há nenhuma que seja ali tratada exaustivamente. Veja por exemplo: Sl 19; 119 – tratando das qualidades da palavra de Deus; os ensinamentos da onipresença e onisciência de Deus no Sl 139; os sofrimentos, morte, e exaltação do Servo de Jeová em Is 53 e outros.
A Escritura nos estimula ao estudo integral e abrangente da verdade (Jo 5.39, “examinai as Escrituras”), à comparação e harmonização de suas diferentes partes (1Co 2.13 – “comparando as coisas espirituais com as espirituais”), à reunião de tudo em torno do fato central da revelação (Cl 1.27 – “que é Cristo em vós, esperança da glória”), à pregação na forma sadia assim como em suas devidas proporções (2Tm 4.2 “prega a Palavra”). O ministro do Evangelho é chamado “escriba que se fez discípulo do reino do céu” (Mt 13.52); os “pastores” das igrejas devem ser ao mesmo tempo “mestres” (Ef 4.11); o bispo deve ser “apto para ensinar” (1Tm 3.2), “que maneja bem a Palavra da Verdade” (2Tm 2.15), “retendo firme a Palavra Fiel, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para exortar na sã doutrina como para convencer os contradizentes” (Tt 1.9).

07. A Teologia Sistemática é Necessária dada a Importância dos Pontos de vistas Definidos e Justos da Doutrina Cristã para o Pregador.

A sua principal qualificação intelectual deve o poder de conceber clara e compreensivelmente e expressar precisa e poderosamente a verdade.
O pregador só pode ser o agente do Espírito Santo na conversão e santificação dos homens quando pode brandir “a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus” (Ef 6.17), ou, em outra linguagem, só quando pode imprimir a verdade nas mentes e consciências de seus ouvintes.
O pregador tem como objetivo, conhecendo bem a Teologia Sistemática, substituir as concepções obscuras e errôneas entre os seus ouvintes pelas corretas e vívidas. Mutilar a doutrina ou interpreta-la falsamente não é só um pecado contra o Seu Revelador, – pode levar à ruína as almas dos homens. A melhor salvaguarda contra tal mutilação ou falsa interpretação é o estudo diligente das várias doutrinas da fé nas inter-relações e especialmente nas relações com o tema central da teologia, a pessoa e obra de Jesus Cristo.
O pregador deve fornecer a base do sentimento, produzindo a convicção inteligente. Ele deve instruir mais que comover. Se o objetivo primordial do pregador é o conhecer Deus e, a seguir, tornar Deus conhecido, o estudo da teologia é absolutamente necessário ao seu sucesso.
Afirma John Henry Newman: “O falso pegador tem de dizer alguma coisa; o verdadeiro pregador tem alguma coisa para dizer”.
Charles H. Spurgeon afirma: “... Nunca teremos grandes pregadores enquanto não tivermos grandes teólogos. Não espere de estudantes superficiais, grandes pregadores que convençam almas”.
A. H. Strong[1] afirma: “Pequenas divergências da doutrina correta da nossa parte podem ser danosamente exageradas naqueles que nos sucederem. 2Tm 2.2: ‘E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros’”.


08. A Necessidade da Teologia Sistemática Revela-se na Íntima Conexão entre a Doutrina Correta e o Firme e Agressivo Poder da Igreja.

A segurança e o progresso da Igreja dependem do “padrão das sãs palavras” (2Tm 1.13), e de ser “coluna e esteio da verdade” (1Tm 3.15). O entendimento defeituoso da verdade, mais cedo ou mais tarde, resulta em falhas de organização, de operação e de vida. A compreensão integral da verdade cristã como um sistema organizado fornece, por outro lado, não só uma incalculável defesa conta heresia e a imoralidade, mas também indispensável estímulo e instrumento no agressivo labor da conversão do mundo.
Há muitas igrejas corcundas, por lhes faltarem a espinha dorsal da Teologia Sistemática.
[1] Teologia Sistemática volume um – HAGNOS.
Este Estudo Faz Parte de um trabalho que está no prelo... querendo Deus... lançaremos o Livro com o tema "Prolegômenos à Teologia Sistemática". Verso neste livro, dada a necessidade de uma compreensão da Teologia, assuntos que introduzirão o aluno de Teologia a este vasto universo da Revelação Divina. Este trabalho nasceu como fruto de nossa observação da necessidade de um trabalho acessível, que introduza e esclareça as verdades teológicas, desmitologizando muitos mitos que inseridos no conceito de Teologia. Estes mitos fazem com que as pessoas se afastem das verdades teológicas. Nosso propósito, creio que o de Deus também, é que as pessoas debrucem diante das Escrituras para vislumbrar, pela iluminação do Espírito Santo, as Verdades Reveladas de Deus.
Para maiores informações entre em contato conosco.
Soli Deo Gloria.
visite nosso Site: www.solideogloria.xpg.com.br

quarta-feira, julho 12, 2006

A Vontade de Deus

Ao tratar da Vontade de Deus alguns teólogos têm diferenciado entre Sua vontade decretiva e Sua vontade permissiva, insistindo que há certas coisas que Deus tem positivamente pré-ordenado, mas outras coisas que Ele meramente tolera existir ou acontecer. Mas tal distinção não é uma distinção de maneira alguma, na medida em que Deus somente permite o que está de acordo com Sua vontade. Nenhuma distinção teria sido inventada, tivesse esses teólogos discernido que Deus pode ter decretado a existência e atividades do pecado sem Ele mesmo ser o Autor do pecado. Pessoalmente, nós preferimos adotar a distinção feita pelos antigos Calvinistas entre a vontade secreta e revelada de Deus, ou, para expressar de uma outra forma, Sua vontade dispositiva e preceptiva.A vontade revelado de Deus é feita conhecida em Sua Palavra, mas Sua vontade secreta são Seus próprios conselhos encobertos. A vontade revelada de Deus é o definidor de nosso dever e o padrão de nossa responsabilidade. A primária e básica razão pela qual eu devo seguir certo curso ou fazer certa coisa é por causa da vontade de Deus, a Sua vontade sendo claramente definida para mim em Sua Palavra. Que eu não deveria seguir um certo curso, que eu devo me abster de fazer certas coisas, é porque elas são contrárias à vontade revelada de Deus. Mas suponha que eu desobedeça a Palavra de Deus, então, eu não contrario Sua vontade? E se é assim, como pode ainda ser verdade que a vontade de Deus sempre é feita e Seu conselho consumado todas as vezes? Tais questões fazem evidente a necessidade de se defender uma distinção aqui. A vontade revelada de Deus é freqüentemente contrariada, mas Sua vontade secreta nunca é frustrada. Que é legítimo fazermos tal distinção concernente à vontade de Deus, é clara a partir das Escrituras. Tome esta duas passagens: "Porque esta é a vontade de Deus, a saber, a vossa santificação: que vos abstenhais da prostituição" (1 Tessalonicenses 4:3); "Dir-me-ás então. Por que se queixa ele ainda? Pois, quem resiste à sua vontade?" (Romanos 9:19). Pode um leitor pensativo declara que a "vontade" de Deus tem precisamente o mesmo significado em ambas dessas passagens? Nós seguramente esperamos que não. A primeira passagem refere-se à vontade revelada de Deus, a última à Sua vontade secreta. A primeira passagem concerne a nosso dever, a última declara que o propósito secreto de Deus é imutável e deve acontecer não obstante a insubordinação das Suas criaturas. A vontade revelada de Deus nunca é perfeitamente ou completamente realizada por alguém de nós, mas Sua vontade secreta nunca falha na consumação até mesmo no mais minucioso detalhe. Sua vontade secreta concerne principalmente a eventos futuros; Sua vontade revelada, nosso dever presente: uma tem que ver com Seu irresistível propósito, o outro com Seu agrado manifestado: uma é elaborada sobre nós e realizada através de nós, a outra é para feita por nós.
A vontade secreta de Deus é Seu eterno, imutável propósito concernente a todas as coisas que Ele fez, para produzir certos meios para seus fins apontados: disto Deus declara explicitamente: "Meu conselho subsistirá, e farei toda Minha vontade" (Isaías 46:10). Esta é a absoluta, eficaz vontade de Deus, sempre efetuada, sempre realizada. A vontade revelada de Deus contêm não Seu propósito e decreto, mas nosso dever, - não o que Ele fará de acordo com Seu eterno conselho, mas o que nós deveríamos faze se quiséssemos agradá-LO, e isto é expresso nos preceitos e promessas de Sua Palavra. O que quer que Deus tenha determinado consigo mesmo, seja para Ele próprio fazer, ou para fazer pelos outros, ou tolerar que seja feito, enquanto isto está em Seu próprio seio, e não foi feito conhecido por algum evento na providência, ou por preceito, ou por profecia, é Sua vontade secreta. Tais são as coisas profundas de Deus, os pensamentos de Seu coração, os conselhos de Sua mente, que são impenetráveis para todas criaturas. Mas quando estas coisas são feitas conhecidas, elas tornam-se Sua vontade revelada: tal é quase todo o livro do Apocalipse, no qual Deus tem feito conhecido a nós "coisas que brevemente devem acontecer" (Apocalipse 1:1 - "deve" porque Ele eternamente propôs que deveriam acontecer).Tem sido objetado pelos teólogos Arminianos que a divisão da vontade de Deus em secreta e revelada é insustentável, pois ela faz com que Deus tenha duas vontades diferentes, uma oposta a outra. Mas isto é um engano, devido a falha deles em ver que a vontade secreta e revelada de Deus dizem respeito a objetos inteiramente diferentes. Se Deus requeresse e proibisse a coisa, ou se Ele decretasse que a mesma coisa aconteceria ou não, então Sua vontade secreta e revelada seria contraditória e sem propósito. Se aqueles que objetam à vontade secreta e revelada de Deus como sendo inconsistentes, fizessem a mesma distinção neste caso que eles fazem em muitos outros casos, a aparente inconsistência imediatamente desapareceria. Quão freqüentemente os homens traçam uma astuta distinção entre o que é desejável em sua própria natureza, e o que não é desejável considerando todas as coisas. Por exemplo, o pai carinhoso não deseja simplesmente considerar punir seu filho ofensivo, mas, considerando todas as coisas, ele sabe que este é o seu dever obrigatório, e assim corrige seu filho. E embora ele conte ao seu filho que ele não deseja castigá-lo, mas que ele está certo que isto é o melhor ao fazer considerando todas as coisas, então um filho inteligente verá que não há inconsistência entre o que o pai diz e faz. Exatamente assim o Criador Todo-sábio pode consistentemente decretar acontecer coisas que Ele odeia, proibir e condenar. Deus escolhe que algumas coisas existem que Ele odeia completamente (na intrínseca natureza delas), e Ele também escolhe que algumas coisas, todavia não existam, as quais Ele ama perfeitamente (na intrínseca natureza delas). Por exemplo: Ele ordenou que Faraó deixasse Seu povo ir, porque isso era justo na natureza das coisas, todavia, Ele secretamente havia declarado que Faraó não deveria deixar o Seu povo ir, não porque era justo em Faraó recusar, mas porque era melhor considerando todas as coisas que ele não os deixasse ir - isto é, melhor porque favoreceu um propósito mais amplo de Deus.Novamente; Deus nos manda sermos perfeitamente santos nesta vida (Mateus 5:48), porque isto é justo na natureza das coisas, mas Ele decretou que nenhum homem será perfeitamente santo nesta vida, porque é melhor, considerando todas as coisas, que ninguém seja perfeitamente santo (experimentalmente) antes de deixar este mundo. Santidade é uma coisa, o acontecimento da santidade é outra; assim, pecado é uma coisa, o acontecimento do pecado é outra. Quando Deus requer santidade, Sua vontade preceptiva ou revelada considera a natureza ou excelência moral da santidade; mas quando Ele decreta que a santidade não ocorra (completa e perfeitamente), Sua vontade secreta ou decretiva considera somente o evento de que ela não ocorre. Assim, novamente, quando Deus proíbe o pecado, Sua vontade preceptiva ou revelada considera somente a natureza ou o mal moral do pecado; mas quando Ele decreta que o pecado ocorrerá, Sua vontade secreta considera somente sua real ocorrência para servir o Seu bom propósito. Portanto, a vontade secreta e revelada de Deus considera objetos inteiramente diferentes.A vontade do decreto de Deus não é a Sua vontade no mesmo sentido como Sua vontade de mandamento é. Portanto, não há dificuldade em supor que uma possa ser contrária à outra. Sua vontade, em ambos sentidos, é Sua inclinação. Tudo que concerne a Sua vontade revelada é perfeitamente de acordo com Sua natureza, como quando Ele ordena amor, obediência, e serviço de Suas criaturas. Mas o que concerne a Sua vontade secreta tem em vista Seu fim supremo, para o qual todas as coisas estão agora operando. Portanto, Ele decreta a entrada de pecado no Seu universo, embora Sua própria natureza santa odeie todo pecado com infinita repulsa, todavia, porque este é um dos meios pelos quais Ele apontou o fim para ser alcançado, Ele tolera a entrada dele. A vontade revelada de Deus é a medida de nossa responsabilidade e o determinante de nosso dever. Com a vontade secreta de Deus nós não temos nada para fazer: esta é de Sua incumbência. Mas Deus, sabendo que falharemos em fazer perfeitamente Sua vontade revelada, ordenou Seus eternos conselhos conseqüentemente, e estes eternos conselhos, que aconteça Sua vontade secreta, embora desconhecida para nós, embora inconscientemente, cumprida em e através de nós.Se o leitor está preparado ou não para aceitar a distinção acima na vontade de Deus, ele deve reconhecer que os mandamentos das Escrituras declaram a vontade revelada de Deus, e ele deve também aceitar que algumas vezes Deus não quer impedir a quebra daqueles mandamentos, porque Ele na realidade não o impede. Que Deus quer permitir o pecado é evidente, porque Ele o permite. Certamente ninguém dirá que o próprio Deus faz o que Ele não quer fazer.Finalmente, deixe-me dizer novamente que, minha responsabilidade em relação à vontade de Deus é medida pelo que Ele fez conhecido na Sua Palavra. Ali eu aprendo que é meu dever usar os meios de Sua providência, e humildemente orar para que Ele possa Se agradar em abençoá-los para mim. Recusar assim fazer sobre o fundamente de que eu sou ignorante do que possa ou não possa ser Seus conselhos secretos concernentes a mim, não somente é um absurdo, mas também o ápice da presunção. Nós repetimos: a vontade secreta de Deus não nos diz respeito; é Sua vontade revelada que mede nossa responsabilidade. Que não há conflito entre a vontade secreta e revelada de Deus é claro a partir do fato que, a primeira é realizada pelo meu uso dos meios registrados na última.


Por Arthur W. Pink.

sábado, maio 27, 2006

Estudo no Capítulo Doze no Livro de Atos

Possíveis Temas do Livro de Atos dos Apóstolos:

BEP = A propagação triunfal do Evangelho pelo poder do Espírito Santo.

BEG = O Senhor irá difundir a Sua obra “em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra” (At 1.8).

BEP – T.H. = O crescimento da Igreja.

BVN = At 1.8, como propósito e tema.

BRAS = Missões no primeiro século.

BLH = Continuação da história de Jesus e da Boa-Notícia do Evangelho.

BA = A expansão do cristianismo.

BEx = A ascensão e a promessa da volta do Senhor Jesus, a descida do Espírito Santo no Pentecoste, o uso das “chaves” por Pedro, abrindo o Reino aos judeus no Pentecoste, e aos gentios na casa de Cornélio. O começo da Igreja Cristã, e a conversão e ministério de Paulo.

BEAP = A expansão do Evangelho e o crescimento da Igreja cristã.



Capítulo Doze de Atos:

Qual é a função deste capítulo na narrativa total, e qual a luz que lança sobre o quadro que Lucas nos dá da Igreja?
Pode, simplesmente, ter sido contada por fazer parte das tradições acerca de Pedro que Lucas herdara (At 9.32-43).
Pode, porém, servir historicamente para contar como Pedro foi forçado a deixar Jerusalém e passar a liderança para Tiago (embora devamos notar que Pedro ainda está ativo na liderança da Igreja em Jerusalém – Gl 2.9; At cap. 15).
Outra função da história talvez seja indicar como a carreira de Pedro seguia linhas semelhantes àquelas do Senhor Jesus e de Paulo: o tema da prisão e da morte (real ou ameaçada) é comum nestas três vidas.
Do ponto de vista de Lucas, parece que a ênfase recai sobre o progresso triunfante do Evangelho (12.24) que não é impedido pela morte de um dos apóstolos nem pela prisão doutro deles.
E por último, pode ser dito que enquanto a Igreja orar, a causa de Deus avançará, e Seus inimigos ficarão em nada, ainda que este fato não isente a Igreja do sofrimento e do martírio; a crença de Lucas na vitória da Igreja é totalmente realística e reconhece que, embora a Palavra de Deus não esteja manietada, é bem possível que Seus servos tenham que sofrer e ser aprisionados (cf. 2Tm 2.9).


Perseguição:
v.01: Depois da ressurreição do Senhor Jesus esta é a segunda perseguição, registrada, da Igreja em Jerusalém.
A primeira perseguição foi instigada pelos judeus religiosos (At 8.1). Esta perseguição baseava-se na religião. Temos Estevão como o mártir desta primeira perseguição (At 7.54-60). E, essa perseguição, terminou com a conversão de Saulo (At cap. 09).
A segunda perseguição foi instigada pelo próprio rei Herodes, Agripa I (At 12.1). Sem dúvida, esta perseguição não teve outra finalidade, senão política, e visava agradar aos judeus, os quais Agripa I queria ter como partidários de sua causa política. Agora, temos Tiago como mártir nesta perseguição (At 12.2). Mas, também, esta perseguição findou com a morte de Agripa I e a expansão da Boa Nova de que se espalhava rapidamente e havia muitos novos crentes.

Nota: Em ambas as perseguições observa-se um crescimento prevalecente da Palavra de Deus (At 8.4; 12.24). Implica em afirmarmos, que mesmo que os religiosos e os políticos levantem-se contra a Igreja, é a Palavra de Deus que prevalece. O sangue dos mártires é o adubo para a sementeira do Evangelho, já dizia Tertuliano. Temos exemplos de homens que foram fiéis a Deus em meio às perseguições (Policarpo; John Huss). Paulo disse: Eu estou preso, mas a Palavra de Deus não está”. Podem matar os cristãos, mas a Palavra de Deus continuará vivificando e prosperando (Jo 6.63; Is 55.10-11).

Onde estava Deus, quando o Seu servo foi passado pelo fio da espada? Ainda podemos indagar:
Þ Onde estava Deus, quando as lagrimas dos filhos de Coré lhes serviam de mantimento de dia e de noite, quando lhes diziam constantemente: Onde está o teu Deus? (Sl 42.3).
Þ Talvez Penina dissesse: Onde está o teu Deus, Ana? (1Sm cap.01).
Þ E, onde estava o Senhor Jesus quando o barco era açoitado pelas ondas; quando o vento era contrário; quando os discípulos fatigavam a remar? (Mt 14.24; Mc 6.48).
Þ Onde estava o Senhor Jesus, quando o seu amigo Lázaro morreu? Porque Ele não veio logo ajudá-lo (Jo cap.11).

E Tiago? Por que Deus não livrou Seu servo, protegendo-o?
E, quem sabe que Deus o protegeu de algo pior do que a morte! Para Tiago, isto foi uma promoção: Deus o elevou a um cargo mais alto.
Há uma tradição que conta que o apóstolo, no caminho para o lugar da execução, conversou com seu verdugo acerca do Evangelho com tanto poder que o converteu e, quando chegaram ao lugar, um outro teve que tomar-lhe a espada para executar a sentença de morte.

Cremos que a morte de Tiago foi para a glória de Deus. Todas as coisas, Deus as toma, segundo o Seu beneplácito, para louvor de Sua glória (Jo cap.09: Cego de nascença; cap.11, morte de Lázaro; as prisões de Paulo resultaram em suas epístolas).
O objetivo de Herodes Agripa I, era político. Satanás tinha como objetivo a derrocada da fé de Jó. Mas o nosso Deus tomou esses males para louvor de Sua glória.

Mas, por que Deus permite tais perseguições?
Em At 14.22, que é uma lei espiritual, que temos de passar por muitas tribulações para que entremos no Reino de Deus.
É verdade que a perseguição (a) purifica as igrejas; (b) os hipócritas, que se têm feito membros para fins comerciais, sociais, etc., não a resistem, e também (c) é causa para que muitos fracos na fé se façam fortes, às vezes até à morte. Como também serve (d) para manifestar os verdadeiros pastores (Jo 10.11-15).


Personagens do Capítulo Doze:

I. Herodes – v.01.
Nome de vários governadores da Palestina e regiões vizinhas, ou partes delas. Há três Herodes mencionados no Novo Testamento e mais um com o nome de Agripa, e outro com o nome de Filipe.

1. Herodes, o Grande:
Filho de Antipas (Antipater) Idumeu (47 a.C.,). Subiu ao trono e o conservou por meio de crimes brutais; teve 10 mulheres. Matou sua esposa Mariana, e seus filhos Alexandre e Aristóbulo. Mandou matar os meninos de Belém. Morreu com 64 anos (Mt 2.1-3,7,9,12-19; Lc 1.5). Comido de vermes, morreu, como seu neto (Herodes Agripa I – At 12.23). Reconstruí ou reformou, melhor dizendo, o templo de Jerusalém.

2. Herodes, Filipe I ou Herodes Antipas (Mt 14.3; Mc 6.17):
Filho de Herodes, o Grande, e de sua mulher Maltace, a samaritana. Tinha sangue idumeu e algumas gotas de sangue judaico. Mandou manietar João o Batista e depois degolá-lo. Casou-se com uma filha de Aretas, rei dos árabes nabateanos, cuja capital era Petra. Depois estando em Roma com seu irmão Filipe, apaixonou-se doidamente pela mulher deste seu irmão, divorciou-se da filha de Aretas, sua legítima esposa, e casou-se com Herodias. Esta imoralíssima transação produziu seus resultados naturais. Herodias era dotada de um espírito másculo e Herodes era fraco. Ela veio a ser o seu gênio mau; fez dele instrumento do mesmo modo que Jezabel havia feito de Acabe. Aretas, ressentindo pela ofensa contra sua filha, declarou guerra a Herodes que levou a termo com bons resultados.
Herodias causou o assassinato de João o Batista (Mt 14.1-13).
Por causa de sua malícia nosso Senhor chamou-o de raposa (Lc 13.31,32). Este Herodes tinha seus imitadores porque o Evangelho se refere ao fermento de Herodes (Mc 8.15).
Quando a fama de Jesus se estendeu por toda a parte, a consciência atribulada de Herodes fê-lo recear que João o Batista houvesse ressuscitado dentre os mortos (Mt 14.1,2).
Estava em Jerusalém por ocasião da morte do Senhor Jesus. Pilatos enviou o Divino Mestre à presença de Herodes; este julgou oportuno observar a prática de um milagre que não lhe foi concedido, pelo que ele e seus homens O desprezaram. Neste dias ficaram amigos Herodes e Pilatos, porque estavam antes inimigos um do outro (Lc 23.7-12,15; At 4.27).
A elevação de Agripa, irmão de Herodias ao trono, enquanto que seu marido continuava como tetrarca despertou a inveja desta mulher orgulhosa, que induziu a Herodes para ir a Roma em sua companhia, pedir uma coroa para si. Porém Agripa enviou nas suas costas, cartas a Roma ao Imperador Calígula, acusando Herodes de estar em liga secreta com os partas, pelo que foi banido para Lião na Gália, A. D., 39, onde morreu.

3. Herodes, Filepe II (Boetho):

Tetrarca (governante da quarta parte de um território) de Uturéia e da província de Traconites (4 d.C. – 3 d.C.). Cf. Lc 3.1.

4. Herodes, Agripa I:
Rei da Judéia (At 12.1) (41-44 d.C). Casou-se com Ciprus. Matou Tiago, irmão de José. Morreu comido de vermes (At 12.23).
Josefo denomina-o simplesmente Agripa. Ambos os nomes se combinam, passando a ser conhecido por Herodes Agripa I, para distingui-lo de Herodes Agripa II, perante o qual o apóstolo S. Paulo compareceu.
Herodes, Agripa I era filho de Aristóbulo, filho de Herodes, o Grande e de Mariana, neta de João Hircano. Foi educado em Roma juntamente com Drusus, filho do imperador Tibério e Cláudio. A morte de Drusus e a falta de recursos levaram-no a interromper os estudos e a voltar para a Judéia.
No ano 37, fez outra viagem a Roma, levando novas acusações contra Herodes tetrarca. Não regressou a Judéia quando concluiu os seus negócios, mas permaneceu em Roma, cultivando relações que lhe poderiam servir futuramente. Entre outras conseguiu a amizade de Caio, filho de Germânico que, logo depois veio a ser o imperador Calígula.
Por causa de expressões veementes em favor de Caio, Tibério mandou prendê-lo, metendo-o a ferros. Seis meses depois, Caio era imperador, e nomeou-o rei da tetrarquia, governada por seu falecido tio, Filipe, e também da tetrarquia de Lisânias, o imperador baniu Herodes tetrarca e ajuntou a sua tetrarquia ao reino de Agripa. Agripa ausentou-se do reino por algum tempo e foi residir em Roma. Durante a sua estada em Roma, conseguiu que o imperador desistisse do plano de erigir a sua estátua no templo de Jerusalém. Depois do assassinato de Calígula em seu lugar, Agripa ainda estava em Roma e agiu como intermediário entre o Senado e o novo imperador, para que aceitasse o cargo, visto relutar em aceitá-lo.
Em recompensa, deram-lhe a Judéia e Samaria para aumento de seus domínios que agora eram iguais aos de Herodes, o Grande. Começou então a construir um muro na parte norte da cidade com o fim de recolher um dos subúrbios o que lhe foi proibido continuar. Mandou matar a espada o apóstolo Tiago, irmão de João (At 12.1,2), e meter na prisão o apóstolo Pedro (At 12.3-19). Em Cesaréia em dia assinalado, vestido em trajes reais, assentou-se no seu tribunal e fazia um discurso ao povo que o aclamava, tributando-lhe honras divinas. Subitamente porém o anjo do Senhor o feriu e comido de bichos, expirou (At 12.20-23), com 54 anos de idade, deixando quatro filhos, três dos quais são mencionados na Escritura. Agripa, Berenice e Drusila.

5. Herodes, Agripa II:
Era filho de Herodes Agripa I, e, como tal bisneto de Herodes, o Grande, e irmão das famosas Berenice e Drusila. Por ocasião da morte de seu pai, no ano 44, tinha ele 17 anos de idade, e residia em Roma, onde foi educado na residência imperial. O Imperador Cláudio foi induzido a não nomeá-lo para o trono de seu pai em vista da sua pouca idade, ficando a Judéia aos cuidados de um procurador. Agripa II continuou em Roma.
Sucessivamente secundou os esforços dos embaixadores da Judéia para obter a permissão de conservar as vestimentas oficiais do sumo sacerdote, sob a sua direção. Quando seu tio Herodes, rei de Calcis, morreu, pelo ano 48 d.C., Cláudio lhe deu o pequeno reino do Antilíbano, de modo que veio a ser o rei Agripa II. Esposou a causa dos comissários que tinham ido a Roma para se oporem ao procurador Cumanus e aos samaritanos, conseguindo que o imperador lhes desse audiência.
No ano 52 d.C., Cláudio o transferiu do reino de Calcis para um domínio mais vasto, formado pela tetrarquia composta de Batanéia, Traconitis e Gaulonites, a tetrarquia de Lisânias e a província de Abilene. A constante convivência com sua irmã Berenice, deu ocasião a escândalo.
No ano 54 ou 55 d.C., Nero aumentou os seus domínios com as cidades de Tiberíades e Tariquéia na Galiléia e Júlias na Peréia. Quando Festo substituiu a Félix na procuradoria da Judéia, Agripa II foi a Cesaréia para saudá-lo, acompanhado de Berenice. Nesta ocasião o apóstolo Paulo estava na prisão. Festo levou o caso ao conhecimento de Agripa II e na manhã seguinte o apóstolo compareceu diante do procurador, do rei e de Berenice, para defender-se no que foi bem sucedido (At 25.13 até 26.32).
Logo depois Agripa aumentou as dependências do palácio dos asmoneus em Jerusalém, alargou e enriqueceu de belezas Cesaréia de Filipos e estabeleceu exibições teatrais em Beritus. Quando começaram as perturbações que ocasionaram a guerra contra a Judéia, tentou persuadir os judeus a não resistirem ao governador Fadus, e ao governo romano. Quando rebentou a guerra bandeou-se para o lado de Vespasiano, sendo ferido no sitio de Gamala. Depois da tomada de Jerusalém, transferiu-se com Berenice para Roma, onde foi investido na dignidade de pretor. Morreu no ano 100.


II. Tiago – v.02.
TIAGO = Forma da palavra Jacó.

1. Tiago, filho de Zebedeu (Mt 4.21; 10.2; Mc 1.19; 3.17):
Era também irmão do apóstolo João (Mt 17.1; 5.37; At 12.2), um dos primeiros discípulos (Mt 4.21; Mc 1.19,29; comp. Jo 1.40,41), e um dos apóstolos mais íntimos de nosso Senhor Jesus, (Mt 17.1; Mc 5.37; 9.2; 13.3; 14.33; Lc 8.51; 9.28).
Nada sabemos do seu nascimento, da sua família, nem dos antecedentes de sua vida. Ocupava-se no serviço de pescador no mar de Galiléia de sociedade com Pedro e André (Lc 5.10), o que aparece indicar que residiam por ali perto. A pescaria no mar de Galiléia era franca para os israelitas.
Havia uma distinção social entre os filhos de Zebedeu e os filhos de Jonas, o que dá a entender que Zebedeu tinha a seu serviço jornaleiros (Mc 1.20). Sabe-se que o apóstolo João era conhecido do sumo sacerdote (Jo 18.16), e que talvez tivesse casa em Jerusalém (Jo 19.27).
O nome de seu pai aparece só uma vez nas páginas dos evangelhos (Mt 4.21; Mc 1.19), por onde se vê que nenhum embaraço fez a seus filhos para seguirem a Jesus. Comparando Mt 27.56 com Mc 15.40; 16.1, e com Jo 19.25, tira-se a razoável conclusão de que sua mãe se chamava Salomé e era irmã da mãe de Jesus. Assim sendo, Tiago era primo de Jesus, pertencendo igualmente à linhagem de Davi.
O seu nome encontra-se somente nos evangelhos sinópticos. No Evangelho segundo S. João há duas alusões a ele, nos caps. 1.40,41 e 21.2. Sempre que se fala de seu nome, é em paralelo com o de João e em precedência a este (Mt 4.21; 10.2; 17.1; Mc 1.19,29; 3.17; 5.37; 9.54). Quando se fala de João, é como irmão de Tiago (Mt 4.21; 10.2; 17.1; Mc 1.19; 3.17; 5.37). Conclui-se que ele era irmão mais velho. Ocasionalmente nota-se a inversão destes nomes em Lc 18.51 e 9.28, e em At 1.13; 12.2, graças à grande consideração que gozava o discípulo amado no círculo apostólico. Ao nome de João, recebeu de Cristo o sobrenome de Boanerges, ou filho do trovão (Mc 3.17).
Em companhia dos outros discípulos, foi repreendido por Jesus, por se manifestar tão irado contra a cidade dos samaritanos que negou hospedagem ao Mestre (Lc 9.55). Foi igualmente merecedor da indignação de seus companheiros, quando pediu um lugar de honra ao lado de Jesus (Mc 10.41). Depois da crucifixão, encontramo-lo com os outros discípulos em Galiléia (Jo 21.2), e em Jerusalém (At 1.13), terminando a referência a seu nome, com a sua morte à espada por ordem de Herodes Agripa I, no ano 44 A. D., (At 12.2). Foi o primeiro do círculo apostólico a selar com sangue o testemunho de Cristo.

2. Tiago, filho de Alfeu:
Era, também, um dos apóstolos de nosso Senhor (Mt 10.3; Mc 3.18; Lc 6.15; At 1.13). Nada mais se diz a seu respeito. É natural supor que o Tiago mencionado em Mt 27.56; Mc 15.40; 16.1; Lc 24.10, seja este mesmo Tiago, e neste caso, tem ele o sobrenome de "Menor", talvez por ser de pequena estatura (Mc 15.40).
Sua mãe chamava-se Maria e foi uma das mulheres que acompanharam a Cristo. Sabe-se também que era irmão do José. Levi ou Mateus, que segundo Mc 2.14, era filho de Alfeu, pode bem ser mais um de seus irmãos, e também Judas o apóstolo, entra na irmandade de Tiago, segundo a tradução de Figueiredo (e que a V. B. dá como sendo filho dele), segundo Lc 6.16 e At 1.13. É possível ainda identificar a Maria, mulher de Clopas, mencionada em Jo 19.25, com a Maria, mãe de Tiago, e, portanto, irmã de Maria, mãe de Jesus. De acordo com esta combinação, Tiago, filho de Alfeu, deve ser primo irmão de Jesus. Pode-se ainda tirar outra conclusão, por causa da semelhança de nomes dos irmãos do Senhor com os dos filhos de Alfeu, que este primo irmão de Jesus é um dos irmãos do Senhor. Todos estes raciocínios não são muito seguros e não encontram base firmes nos fatos Bíblicos.

3. Tiago, irmão do Senhor (Mt 13.55; Mc 6.3; Gl 1.19):
Figura saliente na igreja de Jerusalém nos tempos apostólicos (At 12.17; 15.13; 21.18; Gl 1.19; 2.9,12). Este Tiago é mencionado nominalmente duas vezes nos evangelhos (Mt 13.55; Mc 6.3), mas os traços gerais de sua vida, só os poderemos encontrar nas relações com as notícias sobre "os irmãos do Senhor" que constituem classe distinta, tanto em vida do Senhor, quando ainda não criam nele (Jo 7.5), como depois da Sua ressurreição, quando se encontram no meio dos discípulos em Jerusalém (At 1.14). As exatas relações destes "irmãos" com o Senhor Jesus, tem dado lugar a muita discussão. Alguns os identificam com os filhos de Alfeu, Seus primos irmãos. Pensam outros que estes irmãos do Senhor vêm a ser filhos de José, por um primeiro casamento. Como eles aparecem sempre em companhia de Maria, morando com ela e acompanhando-a em viagens e mantendo relações tão íntimas, não é para se duvidar que eles sejam realmente seus filhos e verdadeiros irmãos de Jesus (Mt 12.46,47; Lc 8.19; Jo 2.12). Como o nome de Tiago é o primeiro que aparece na enumeração dos irmãos de Jesus, é de supor que fosse ele o mais velho (Mt 13.55; Mc 6.3). É provável que ele tenha participado da descrença de seus irmãos (Jo 7.5), e sem dúvida também dos cuidados pela segurança de Sua vida (Mc 3.31). Quando e de que modo se operou a sua mudança em servo de Cristo, não sabemos (At 1.14; Tg 11). Quem sabe se ele se converteu em virtude de uma revelação especial como foi a do apóstolo S. Paulo (1 Co 15.7). Desde o início da igreja de Jerusalém que o nome de Tiago aparece à sua frente (At 12.17; 15.13; 21.18; Gl 1.19; 2:9,12).
Quando, pelo ano 40 d.C., S. Paulo visitou Jerusalém, depois de convertido, declara haver estado com Tiago; sinal evidente de que ele estava à testa da Igreja (Gl 1.19). Há uma referência em At 12.17 e outra em 21.18, pelas quais se vê que este discípulo continuava em destaque nos anos 44 e 58 d.C., respectivamente. A leitura do v.6 do cap.15 dá-nos a entender em que consistia a sua preeminência. Não sendo apóstolo, é lícito pensar que ele era o presidente da corporação presbiterial da igreja de Jerusalém e pastor dela. O seu nome aparece nesta qualidade, como se depreende das seguintes passagens: Gl 2.12; At 12.17; 15.13; 21.18. Os visitantes que iam a Jerusalém dirigiam-se em primeiro lugar a ele (At 12.17; 21.18; Gl 1.19; 2.9). A sua posição na igreja serviu muito para facilitar a passagem dos judeus para o Cristianismo. Os fundamentos de sua fé aliavam-se perfeitamente com as idéias de S. Paulo como se evidencia pela leitura de Gl 2.9; At 15.13; 21.20. Em ambas as passagens citadas, ele fala também em favor da consciência cristã dos judeus convertidos. Como S. Paulo, fazia-se tudo para todos, era judeu com os judeus para ganhar os judeus. O emprego de seu nome pelos judaizantes, Gl 2.12. Lit. Clementina, e a admiração que havia por ele entre os judeus, a ponto de o apelidarem de "justo", tem explicado neste traço de seu caráter (Euzébio, H. E. 2.23). A última vez que o Novo Testamento se refere a ele, é em At 21.18, onde se diz que o apóstolo Paulo havia ido à sua casa em Jerusalém, A. D. 58. A história profana, contudo, informa que ele sofreu o martírio por ocasião do motim dos judeus no interregno entre a morte de Festo e a nomeação de seu sucessor. (A. D. 62, Antig. 20: 9, 1; Euzébio. H. E. 2: 23).

4. Tiago, pai ou irmão do apóstolo S. Judas, Lc 6: 16; At 1: 13. Nada mais consta a seu respeito.

Nota: Lucas não faz especulações sobre a razão

III. Pedro – v.03.
Pedro o apóstolo é preso por Agripa I.

v.04: Pedro fora lançado na prisão interior ou no andar inferior e teria, portanto, de ser levado para cima.
Pedro fora colocado sob uma guarda de quatro soldados para cada vigia de três horas:
Primeira vigília
18:00h às 21:00h
Primeira escolta de soldados
Segunda vigília
21:00h às 00:00h
Segunda escolta de soldados
Terceira vigília
00:00h às 03:00h
Terceira escolta de soldados
Quarta vigília
03:00h às 06:00h
Quarta escolta de soldados
Dezesseis soldados guardavam o apóstolo Pedro.

Deus deixou Pedro no cárcere, suportando, por conseguinte, desconforto e sofrimento até a última noite da festa, possivelmente poucas horas antes que Herodes viesse buscá-lo.
Muitas vezes Deus espera até ao último dia para operar em nosso favor (Jo 7.37-39; Dn cap.03, Ananias, Misael e Azarias; cap.6, Daniel; At caps.27-28, Paulo).
O Deus que escreveu o início da história, escreverá o fim. O Deus que fez o primeiro dia, fará o segundo dia.

v.05: Este versículo em algumas versões:
Pedro, pois, era guardado na prisão; mas a Igreja fazia contínua oração por ele a Deus (ARCF).
Assim Pedro estava preso e era vigiado pelos guardas, mas a Igreja continuava a orar com fervor por ele (BLH). Veja-se Rm 12.11,12.
Porém durante todo o tempo em que ele estava na prisão, a Igreja fazia a Deus uma fervorosa oração pela segurança dele (BV).
Mas, enquanto Pedro estava sendo mantido na prisão, fazia-se incessantemente oração a Deus, por parte da Igreja, em favor dele (BJ).
E Pedro estava guardado na prisão a bom recado. Entretanto, pela Igreja se fazia, sem cessar, oração a Deus por ele (Bíblia Versão Autorizada – Pe. Antonio Pereira de Figueiredo)
Pedro, pois, estava guardado na prisão; mas a Igreja orava com insistência a Deus por ele (Bíblia Versão Revisada – De Acordo com os Melhores Textos Hebraicos e Gregos).
Pedro, então, ficou detido na prisão, mas a Igreja orava intensamente a Deus por ele (NVI).
Pedro, pois, estava preso no cárcere; mas a Igreja orava constantemente a Deus a favor dele (N.T. – RVR, 1997).

A lição essencial da história é apresentada neste versículo.
A oração que se proferia era fervorosa, como aquela que o Senhor Jesus orava no Getsêmane (Lc 22.14), e expressava a preocupação da Igreja para com Pedro, mais do que uma idéia de que, para Deus responder à oração, precisa ser pressionado e persuadido por proezas espetaculares de devoção.

Oração é:
(a) Uma dependência de Deus (Mt 7.7: Pedi...);
(b) Uma busca por conhecer mais a Deus (Mt 7.7: Buscai...; 2Cr 7.14ss; Is 55.6; Jr 29.13);
(c) Uma ação de perseverança/insistência para com Deus (Mt 7.7: Batei...; Lc 18.1ss; At 1.14; 2.42; 6.4; 12.5; 16.13).
(d) Uma confiança na Soberana Providência de Deus.

Há registrado no Livro de Atos 30 referências diretas sobre a oração.

Orações respondidas (vv.12,17):
Notemos com respeito a esta reunião de oração:
(a) A localidade – a casa da mãe de Marcos, provavelmente uma viúva abastada;
(b) O acordo – muitas pessoas oravam juntas (Mt 18.18-20);
(c) A persistência e a fé – tinha, orado assim, provavelmente, por Tiago, mas sem resultado; agora tornam a orar. Possivelmente, a morte de Tiago contribui para uma dedicação maior da Igreja a oração;
(d) Resposta e “incredulidade” – não esperavam ser atendidos tão prontamente;
(e) Testemunho – da graça salvadora de Deus por parte de Pedro.



Quatro Mistérios do Capítulo Doze:

01. O Mistério da Perseguição.
Sugere os seguintes pensamentos:
(a) Os iníquos tendem a odiar os bons.
(b) O abuso do poder é uma tendência natural do homem sem Deus;
(c) A perseguição comprova o ensino bíblico, de que os que vivem piamente a sofrerão (2Tm 3.12).

02. O Mistério da Providência Divina.
Mistério quer dizer segredo revelado. E é um segredo ignorado pelo mundo, mas revelado para os cristãos, que Deus cuida dos Seus.
Vemos que a Providência de Deus:
(a) Cuida dos humildes, fazendo caso de um pescador na cadeia.
(b) Não encontra impedimento nos propósitos iníquos dos malvados (vv.4,6).
(c) Age, apesar de todas as circunstâncias contrárias – dezesseis soldados, duas cadeias, portas de ferro, etc.

03. O Mistério da Oração.
A oração é o meio para conhecermos a Deus pela experiência:
(a) Ensina-nos a dependência o Amor e Poder Divinos.
(b) Ensina-nos a importância da persistência, da unanimidade, do propósito, e da fé em nossas orações.
No presente caso, notamos: os crentes que oravam não com uma resposta tão imediata e tão completa. Talvez pensassem que Pedro, semelhante a Tiago, pereceria.

04. O Mistério do Ministério angélico.
Esse ministério é raramente evidente. É pouco referido na Escritura (Mt 18.10). É uma prova de que Deus pode socorrer-nos indiretamente.
Um meio que o Senhor comumente emprega para valer-nos é o auxílio prestado por outro crente. Uma intervenção angélica visível é extraordinária, mas os anjos ministram a nosso favor (Hb 1.14).



Soli Deo Gloria!

Administração Eclesiástica


ADMINISTRAÇÃO ECLESIÁSTICA SOB O PONTO DE VISTA BÍBLICO

As Qualidades de um Líder

1. Intercessor (v.19).
2. Pregador (v.20).
3. Ensinador (v.20).
4. Descobridor de talentos (v.21).
5. Distribuidor de funções (v.21)

Vejamos Ex 18.13-27.

01. V.13,14 = Observação e inspeção pessoal. Interrogatória – investigação perspicaz.
02. V.15,16 = Resolução de conflitos. Correção pelos estatutos (decretos) e leis (vontade revelada de Deus).
03. V.17 = Julgamento de Jetro sobre a administração de Moisés. Administração centralizada. Liderar não é está só (cf. vv.14,18).
04. V.18 = Avaliação do efeito sobre o líder e sobre o povo.
05. V.19 = Instrução técnica. Aconselhamento. Representação. Determinação de procedimentos.
06. V.20 = Ensino. Trabalho de demonstração. Delegação da especificação. Seleção. Estabelecimento. Qualificações. Atribuição de responsabilidades.
07. V.21 = Cadeia de comando:
DEUS
CHEFES DE MIL
CHEFES DE CEM
CHEFES DE CINQÜENTA
CHEFES DE DEZ
MOISÉS


08. V.22 = Extensão do controle. Julgamento. Avaliação. Limites para tomar decisão. Administração por exceção.
09. V.23 = Explicação dos benefícios
10. V.24 = Ouvindo. Pondo em prática.
11. V.25 = Escolha, seleção. Atribuição de responsabilidades. Extensão do controle.
12. v.26,27 = Julgamento. Avaliação. Administração por exceção.


O QUE É ADMINISTRAR?
Administrar não é fazer “mil coisas”. É distribuir as responsabilidades e não “executar todas as tarefas”. É fazer com que todos participem do trabalho.
O bom administrador leva as pessoas a realizar suas tarefas cada vez melhor e a se realizarem no trabalho.
Muitos pretendem tratar pessoalmente dos detalhes mínimos da organização da Igreja, e, diante do total insucesso, passam a expressar sua frustração dizendo: “Esta não é a minha missão, meu trabalho é ganhar almas. Abandonarei tudo e me dedicarei inteiramente às coisas espirituais”.
O Senhor Jesus sempre procurou obter a ajuda de outras pessoas (Jo 2.7; Lc 11.39; Jo 6.12).
A realidade do trabalho do administrador é ajudar as pessoas a crescer, ajudá-las a fazer o trabalho, em vez de executá-lo ele mesmo.

Administrar é, a um só tempo:
01. Prever – Predeterminar um curso de ação.
02. Organizar – Criar, preparar e dispor convenientemente as partes de um organismo.
03. Comandar – É determinar as providências, afim de que toda a organização funcione de acordo com as normas vigentes
04. Coordenar – É manter e supervisionar o funcionamento
05. Controlar – Avaliar e regular o trabalho em andamento e acabado.


TREINAMENTO DE LÍDERES


Há três famosos impedimentos para a divulgação do Evangelho, que obstruem a evangelização daqueles que nunca ouviram as boas novas sobre o que Jesus fez para salvar e abençoar a todas as nações. São eles:
CLERICALISMO
DEFICIÊNCIAS DA DOUTRINA
CONSTRUÇÃO DA CATEDRAL

Cerca de três milhões de israelitas seguiram a Moisés para o deserto. As deficiências do estilo austero de liderança de Moisés, demonstram CLERICALISMO (Ex 18.13-22).

O clericalismo está tentando fazer a obra para a qual Deus chamou você para realizar por você próprio, sem o conselho ou ajuda de outra pessoa. O clericalismo está colocando você próprio, SOBRE os outros, em vez de vê-lo como servo de outros.
Leia Mt 20.27; 23.11. Aqueles que permanecerem na armadilha do Clericalismo falharão no cumprimento do verdadeiro propósito de um líder Igreja.
O clericalismo só pode ser resolvido pelo uso dos princípios do ministério utilizado pelo senhor Jesus e pelo apóstolo Paulo, no Novo Testamento.
A solução para o clericalismo é constituir uma equipe. Aplique o seu tempo e recursos nesta equipe e deixe que ela o ajude com a obra para a qual Deus o chamou.
Você será bem sucedido na formação da equipe, se seguir os princípios dados a Moisés pelo seu sogro Jetro, e por Deus. Sem eles Moisés teria fracassado. Sem eles, você fracassará como um líder de Igreja.
Examinemos, a seguir, os cinco princípios dados a Moisés. Neles, encontraremos a nossa solução para o problema do Clericalismo.

CINCO PRINCÍPIOS DADOS A MOISÉS
01. Treinem Outros Para Ajudar
Em Nm 11.14,15, Moisés estava pedindo a Deus que o matasse, por causa dos problemas resultantes do clericalismo. O clericalismo estava matando Moisés.
E matará qualquer líder que não se precaver!
Para ajudar a Moisés com este problema, Deus falou-lhe (Nm 11) e em Êxodo 18, Jetro (o sogro) também falou a Moisés, dizendo a mesma coisa.
Quando Moisés ouviu a Deus e a Jetro, ele descobriu que a solução do seu problema começava com o treinamento de outras pessoas.


Roteiro de Aula ministrada no seminário.

Profecia e Mensagem do Profeta Joel

A PROFECIA DE JOEL

A Palavra de Deus veio a Joel no auge de uma calamidade. O que levou Joel a pregar e, então, a registrar suas palavras foi uma invasão de insetos, uma devastadora praga de gafanhotos.
O conceito que Joel tinha da criação levou-o a ver os insetos como agentes do Criador, cumprindo a tarefa de julgar uma nação desobediente.


A MENSAGEM DO LIVRO
O livro de Joel é um livro teocêntrico. Tanto a praga, o apelo ao lamento, e as instruções para a conversão, a restauração, a dádiva do Espírito e convicção da vitória final são, todos, atos de Deus.

I. A Soberania de Yahweh Sobre a Criação.
O nosso Deus é soberano sobre a Sua criação. Esta é uma forte ênfase no Livro de Joel.
Não vemos no Livro nenhuma outra hipótese para a origem da praga de gafanhotos que avassalou a terra. Yahweh é o responsável tanto pelo envio (2.11) quanto pela retirado de Seu exército (2.20). O SENHOR é o que faz a ferida como a sara (Dt 32.39; 1Sm 2.6; Sl 51.8).
O nosso Deus tanto no juízo quanto na restauração, exerce o controle sobre a criação. Por isso, os hebreus não podem sustentar um conceito de natureza que a veja como um conjunto de leis ou padrões que operem por conta própria, à parte do controle do SENHOR.


II. A Compaixão de Yahweh no Perdão.
A esperança do livramento e restauração da praga baseia-se não nos méritos do próprio povo e sacerdotes. Esta restituição está baseada na manifestação de Sua misericórdia, em Sua prontidão de perdoar. Ele é pronto e rico em perdoar e grande em misericórdia (Is 55.7; 1.18; 43.25; Nm 14.18).
Mas quando Ele não quer perdoar não adianta orarmos (1Sm 16.1; Ex 33.19; 2Rs 24.4; Dt 29.20).


III. O Uso do Positivo do Culto.
O fracasso de Judá, cuja punição fora a praga de gafanhotos, consistia num culto degenerado.
O culto estava sendo pervertido pelos excessos dos participantes embriagados. E mormente, pelos sacerdotes negligentes, que deixaram as práticas pagãs diminuir a pureza da adoração que devia ter se concentrado somente no nome de Yahweh e em Seu senhorio único e exclusivo sobre o povo.
Como prova disto, ficamos cientes que a praga atacou o próprio culto de maneira que pôs em risco sua existência. Contudo, a resposta à ameaça não foi um apelo para abandonar a adoração (cf. Os 9.1,6; Am 5.21-27), mas para usa-la devidamente – participar de seus atos de humilhação, responder aos apelos de seu sacerdócio, reunir-se fisicamente em seu recinto (do Templo), pronunciar as liturgias de lamentação, já prescritas, buscar um oráculo de salvação e ter esperança nas bênçãos prometidas por Ele (Jl 2.14; cf. Sl 24.5).
Visto que o culto estava degenerado, encontramos uma linguagem que conclama a uma conversão e expõem, também, os resultados de tal conversão (Jl 2.12-14). Conversão implica deserção, desobediência, rebelião contra a aliança. Conversão é o inverso de obstinação. O apelo não é geral, mas específico – “a mim” (2.12); “a Yahweh, vosso Deus” (2.13). E a conversão deve efetuar-se no culto, adoração oficial e pública, e por meio dele; seus sinais são: jejum, choro e pranto (2.12); seu local é o templo; seus porta-vozes são os sacerdotes (2.17); seu resultado tangível são as bênçãos materiais, o meio de apresentar ofertas de cereais e libações de vinho ao SENHOR (2.14); seu clímax é o reconhecimento da verdade da autoproclamação de Yahweh – “Eu Sou o SENHOR vosso Deus, e não há outro” (2.27; cf. 3.17). O lembrete de que “não há outro”, junto com o uso sétuplo de “vosso Deus” (1.14; 2.13,1423,26,27; 3.17), é forjado para ser uma reprimenda e uma reafirmação.
Junto com o apelo à conversão, a ênfase no relacionamento exclusivo do SENHOR com Seu povo é um forte indício de que a idolatria não havia sido totalmente expurgada do segundo templo. À semelhança de seus antepassados da época de Josias (c. 621 a.C.), as pessoas do Judá pós-exílico haviam sucumbido ao sincretismo, comprometendo a exclusividade da soberania de Yahweh e sua promessa de aliança com Ele.

Com vista neste contexto, o propósito do Livro de Joel fica evidente. Ele via a praga de gafanhotos o meio divino de corrigir, purificar o culto e, além disso, preparar o caminho para a bênção plena de Yahweh sobre Seu povo pela dádiva de Seu Espírito, a derrota de Seus inimigos e a prosperidade permanente de Judá em Jerusalém. Deus pretende com tudo isso, levar o Seu povo a se voltar para Ele.


IV. O Terror e a Esperança do Dia do SENHOR.
As primeiras notas que Joel faz soar devem ter sido calculadas para chocar e surpreender os ouvintes. Ele via o Dia não como um tempo de celebração abençoada ou de resgate divino (como em Sl 118.24,25), mas de lamento e devastação. O grito na adoração não era “oh!”, mas “ai!” (1.15).
Esse era um lembrete de que o Dia do SENHOR era o dia dEle. Ele escreveu o roteiro e o encenou. Onde as trevas do juízo eram necessárias, essa era Sua resposta. Se o culto público na entendia bem o Dia, contando com a graça e a bênção divina, o próprio culto precisava ser interrompido. Se a fé do povo dependia placidamente da proteção de Deus, apesar da deslealdade para com a aliança, Yahweh iria marchar com forças inimigas para ensinar a Seu povo as lições de obediência.
Influenciado pelas descrições sombrias e terríveis de Amós (5.18-20) e Sofonias (1.14-18), Joel vê o Dia em duas etapas (1) um dia de juízo prenunciado pelas hordas de gafanhotos, com o propósito de levar o povo ao arrependimento e à reforma, e (2) um dia de vindicação fundamentado em uma nova obediência a Yahweh e numa comunhão com Ele, que se torna possível mediante o derramamento do Espírito Santo (2.28,32).
As conseqüências da volta que, presume-se, deva ocorrer entre 2.17 e 2.18, fluem até o final do Livro como ondas resultantes de uma grande pedra atirada no meio de um lago:
(1) A restauração material do dano causado pela praga (2.18-26);
(2) O reconhecimento da singularidade de Yahweh entre eles (2.27);
(3) A efusão do Espírito Santo sobre a nação toda com a concomitante revelação da vontade e do poder de Yahweh (2.28,29);
(4) Sinais e presságios funestos que assinalam a vinda do segundo Dia, o Dia além do Dia, que promete resgate para o povo de Deus (2.30-32);
(5) O julgamento das nações pelos abusos contra o povo de Yahweh (3.1-14);
(6) A prosperidade do povo pelo fato de o SENHOR habitar em Sião (3.15-21; cf. Zc 14.1-9).

A conversão (2.13,14) é essencial para tudo isso. É preciso lidar com qualquer coisa que impeça a fidelidade à aliança, como Malaquias também advertiu (4.5,6).

Soli Deo Gloria!

quarta-feira, abril 19, 2006

"VITÓRIAS"

“Vitória” tem sido uma palavra muito usada no vocabulário evangélico. Temos até “cultos da vitória”. Pessoas são ensinadas a perseverarem para receberem vitórias. Campanhas são realizadas para alcançar vitórias. A humanidade está em busca de vitórias sobre suas necessidades imediatas. Há uma busca frenética por uma satisfação de vitória. Custe o que custar, as pessoas estão dispostas a aceitarem qualquer desafio para conseguir suas vitórias.

Não é errado almejarmos vitórias. Mas o que há de errado são os meios e motivos empregados e vistos para alcançarem essas vitórias. Muitos são os truques usados para alcançar tais vitórias. Muitos pregoeiros afirmam que estão “sentindo” que Deus está concedendo vitórias. Outros, visualizam bênçãos sendo entregues às pessoas que não têm nenhum compromisso em obedecer ao Evangelho. As pessoas estão sendo atraídas às igrejas não para a glória de Deus, mas para alcançarem algumas vitórias que, se obedecerem alguns caprichos inventados pelos homens, terão sucessos em consegui-las. Os valores são invertidos. Buscam não a Deus, mas as coisas de Deus. Buscam não a pessoa de Deus, mas aquilo que Sua pessoa oferece para as suas satisfações imediatas. Hoje não temos mais adoradores, mas, sim, consumidores. Não se oferece mais a morte ou a vida, para que escolhais. Mas, se oferece um produto barateado que não é o Evangelho do Senhor Jesus revelado nas Sagradas Escrituras. Não existem mais pregações tais como: “renunciem a si mesmos, renunciem seus desejos, seus familiares, suas posições e suas satisfações consumistas por amor de Mim e do Evangelho”. Não se ouve mais uma voz clamando: “O tempo está cumprido, e o Reino de Deus está próximo. Arrependei-vos, e crede no Evangelho” (Mc 1.15). Onde estão as mensagens que deixam os corações compungidos[1]? (At 2.37). Podem me dizer onde andam os pregadores que verbalizavam: “Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; E porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem? (Mt 7.13-14)”. Hoje só ouvimos blá-blá-blás... Como doem nos ouvidos, e corações também, as palavras destes lobos em peles de ovelhas que visam não à glória de Deus, mas os seus bolsos. Creio que há ainda muitos pregadores e mestres que não dobraram os seus joelhos perante os baalim da pós-modernidade. O povo não busca mais santidade e comunhão com Deus, mas vitórias! Estas pessoas, e porque não dizer que os pregadores ensinam erradamente, e, assim, tiraram o foco de Deus para as coisas de Deus. Permeia em nossos arraiais uma coceira nos ouvidos dos crentes e, em conseqüência, falsos mestres adentram às nossas cátedras para satisfação deste populacho. É um povo que prefere os pepinos e melões do Egito, do que à satisfação da comunhão com o Deus que Se revela no Sinai. São os aventureiros da fé. Os que seguem o povo de Deus sem conhecê-Lo. Eles estão empolgados em sair do Egito em sua geografia, mas não em seus desejos. Os seus pés saem do Egito, mas os seus corações continuam nos panelões de carnes. Eles continuam, em vista as vicissitudes do caminho que nos leva a terra prometida, a desejar voltar à velha casa da escravidão – o Egito.

Que Deus levante jovens como Davi. Preocupados em vitórias, mas nas vitórias que proclamem o nome de Deus. Como já falei, não é errado querermos vitórias. Aliás, nascemos para vencer. Somos vencedores sobre o maligno (1Jo 2.14); já vencemos o mundo (1Jo 5.4-5; comp. Jo 16.33); o poder do pecado é vencido pelos que são nascidos de Deus (1Jo 3.9; comp. 1Pe 1.23 e Tg 1.18 – notem a importância da Palavra de Deus nestes versículos). Paulo afirma que “em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquEle que nos amou (Rm 8.35). Observem o que a palavrinha “estas” se refere no contexto.

Esta vitória nos é proporcionada por Deus o Pai, por intermédio do Senhor Jesus Cristo. Paulo falando sobre o aguilhão da morte que é o pecado, como também da força do pecado que é a lei, concluiu dizendo: “Mas graças a Deus que nos dá vitória por nosso Senhor Jesus Cristo” (1Co 15.57).

A Igreja edificada pelo Senhor Jesus jamais será vencida pelas portas levantadas do hades (Mt 16.18). O Senhor Jesus que começou a boa obra a completará sem dúvidas (Fl 1.6).

Mas o que torna a busca pela vitória errada é o egoísmo dos homens por autopromoção. Devemos sim, buscar vitórias, mas para a promoção do Reino de Deus e da Sua pessoa em nosso meio.

O que torna a busca pela vitória errada, falo no contexto do evangelicalismo atual, é busca cega pelas coisas materiais, físicas. O povo não quer ser salvo – a maior vitória conquistada para nós no Calvário por Cristo –, mas ser ricos, bem sucedidos em seus empreendimentos próprios. E com isso, o Reino de Deus sofre. O que precisamos é de vitórias verdadeiras conquistadas por jovens movidos pelo Espírito Santo, como Davi. Vitórias que promovam a santidade de Deus. Que o Seu louvor seja exaltado em nossas vidas, nas buscas pelas vitórias para Sua glória. A vitória do SENHOR é a nossa!

Jovens movidos pelo Espírito Santo são jovens que procuram vitórias para Deus. “Quem é, pois, este incircunciso filisteu, para afrontar os exércitos do Deus vivo?”. Esse filisteu tem afrontado não só a nós, mas ao nosso Deus. Se formos vitoriosos será pelo nosso Deus. O SENHOR nos proporcionará vitórias e mais vitórias se tão somente honramos o Seu nome e procurarmos promover a Sua glória. Que Deus no ajude nesta empreitada! E, a vitória é nossa pelo sangue e pela Palavra de Jesus! (Ap 12.11).


Soli Deo Gloria!

[1] katenygêsan aor. Pass. katanyssõ (1 – 1) ferir, dar uma forte ferroada. Usado de emoções dolorosas, que penetram o coração como um aguilhão (Meyer). Chave Lingüística do Novo Testamento Grego, Fritz Rienecker & Cleon Rogers – Edições Vida Nova, 1ª Edição em português: 1985. reimpressão: 2003.