Discípulos de Cristo Jesus

Vivendo Para a Glória de Deus!

A vida cristã deve ser vivida para a glória de Deus somente. Em tudo o que nos empenhamos e fazemos devemos procurar a glória de Deus. Paulo chegou a dizer que até mesmo as coisas mais curriqueiras da vida como o beber e o comer devem ser feitos para a glória de Deus (1Co 10.31).

Nenhum de nós viveremos na plenitude se não vivermos voltados para a glória de Deus. Pois, a plenitude da vida está em viver para a glória de Deus. A glória de Deus produzirá a verdadeira vida plena de satisfação em Deus.

O pastor e escritor John Piper foi feliz quando afirmou que Deus é mais glorificado em nós quanto mais nos alegramos Nele. A glória de Deus e nossa alegria são faces de uma mesma moeda. Quando procuramos verdadeira satisfação vislumbramos e refletiremos a glória de Deus. Pois, a verdadeira alegria resulta na contemplação apaixonada do único ser no universo que tem toda a glória e beleza. A contemplação da beleza de Deus nos deixa encantados e sobressaltados ante inenarrável resplendor.

O Breve Catecismo de Westminster indaga: Qual o fim principal de todo o homem? Ele mesmo responde: O fim principal de todo homem é glorificar a Deus e se alegrar Nele para sempre.

A nossa alegria e a glória de Deus é o propósito de Deus para nossas vidas e o alvo da vida cristã. Toda a plenitude da vida cristã se resume na contemplação do Ser eterno de Deus na Pessoa maravilhosa de Cristo Jesus pela obra persuadora e renovadora do Espírito Santo.

Soli Deo Gloria!

domingo, janeiro 02, 2011

Por que a Igreja Brasileira não Estar Experimentando um Avivamento Bíblico?


Sabemos que bíblica, teológica e historicamente a igreja brasileira nunca experimentou um autêntico e genuíno avivamento da parte de Deus. Digo isso no sentido bíblico, teológico e histórico do termo. O Brasil nunca experimentou um avivamento como outros países da Europa e Estados Unidos o fizeram.

É claro que não afirmo que devemos ser radicais aponto de dizer que não há atuação do Espírito de Deus em nossas congregações brasileiras. Pois, Deus tem Se feito presente salvando, renovando e curando. Mas, um avivamento que traga impacto significante para a igreja e, por conseguinte para a sociedade nós nunca experimentamos.

Somos, é claro, fruto do grande avivamento pentecostal no início do século XX. Mas, um avivamento em nossa terra brasileira ainda não foi presenciado.

Talvez algumas pessoas fiquem chocadas com minhas afirmações. Mas, estou convicto disto! Existem pares ministeriais que não concordam com minhas afirmações neste bojo, mas não posso calar-me diante da tão vergonhosa situação da igreja brasileira em termos gerais. Acredito que Deus tem muita gente compromissada com as verdades aurifulgentes das Sagradas Escrituras. Acredito que há muitos cristãos sinceros buscando um derramamento do Espírito Santo de Deus. Acredito que há muitos discípulos da cruz de Cristo e que não se envergonham do santo evangelho tal qual ministrado pelo Senhor Jesus, os apóstolos, Atanásio, Concílio de Nicéia, Agostinho, William Tyndale, John Wycliffe, Lutero, Calvino, Knox, Spurgeon e Lloyd Jones só para citar alguns. Acredito que as portas do inferno NUNCA prevalecerão contra a Igreja de Cristo Jesus. Mas, tal qual nos mostra a Bíblia e a História da Igreja, Deus rejeitou muitos que abandonaram o Seu santo evangelho e agiu em outros rincões levantando homens e mulheres compromissados com Sua santidade.

Como senhores, a igreja brasileira está experimentando um avivamento se somos mais conhecidos pela mídia e pela sociedade pelos escândalos financeiros, morais e sexuais do que por uma vida de honestidade e santidade diante de Deus e dos homens? Como estamos experimentando um avivamento se nossos líderes estão mais preocupados em política do que em missões? Como estamos experimentando um avivamento se nossos pregadores estão sanguessedentos por fama e prestígio em vez de buscarem a glória de Deus? Como estamos experimentando um avivamento se os cantores estão preocupados em fazer sucesso e cantam músicas que dão marketing e não as que exponham o santo evangelho? Como meus queridos, estamos experimentando um avivamento no Brasil se as cruzadas evangelísticas (lembrem-se do legado de Bernard Johnson) foram ou estão sendo substituídas por shows? Como estamos experimentando um avivamento se nossos líderes são mais norteados pelos princípios de gerenciamentos de empresas seculares de sucesso em vez dos princípios de liderança esposado pelo Senhor e Seus apóstolos?

É por isso que não posso me calar! Faço minhas as palavras do grande bandeirante do Cristianismo, Paulo, quando escreveu em 1a Coríntios 11.1-4:

Quisera eu me suportásseis um pouco mais na minha loucura. Suportai-me, pois.

Porque zelo por vós com zelo de Deus; visto que vos tenho preparado para vos apresentar como virgem pura a um só esposo, que é Cristo.

Mas receio que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também seja corrompida a vossa mente e se aparte da simplicidade e pureza devidas a Cristo.

Se, na verdade, vindo alguém, prega outro Jesus que não temos pregado, ou se aceitais espírito diferente que não tendes recebido, ou evangelho diferente que não tendes abraçado, a esse, de boa mente, o tolerais.

Precisamos urgentemente rogar a Deus por uma visitação significativa de Deus no meio do Seu povo. Como nunca nossa geração e nossa nação brasileira necessitam de um avivamento da parte de Deus. Somos carentes de uma visitação significativa de Deus em nossas vidas e culto.

Precisamos rogar para que Deus rasgue os céus e desça até nós e acenda os gravetos secos de nossos corações.

A Razão da Urgente Necessidade do Avivamento Divino:

A igreja brasileira está caindo no descrédito. Ela está sendo mais conhecida pelos escândalos morais e financeiros dos seus líderes do que por uma vida de santidade que glorifica a Deus. A vida de muitos líderes cristãos está anos-luz da vida de santidade exigida por Deus para aqueles que exercem o santo ministério do Senhor.

Infelizmente, o rebanho de Deus em muitos lugares não está sendo apascentado segundo um padrão bíblico de ministério que honre a Deus e edifique o povo. Muitos líderes perderam a visão de Reino de Deus e estão levantando seus próprios impérios. Assim como a vida de santidade está sendo negligenciada a doutrina está sendo relegada para segundo plano. Mesmo com crescimento de seminários teológicos em nosso meio as doutrinas cardeais da teologia estão sendo solapada pelo pragmatismo e pelas teologias triunfalistas e da prosperidade acima de tudo.

Os líderes de muitas denominações estão tratando o povo como escravo de uma religião cega. Estes líderes manipulam o rebanho. Eles exercem um militarismo patologizado sobre o povo de Deus. Eles apascentam o rebanho de Deus não com amor e coração de servo, mas como donos do rebanho de Deus. Eles fazem negócios com o rebanho. Igrejas são vendidas. O comércio sagrado tem sido a nota triunfante em muito dos gabinetes pastorais. Os gabinetes pastorais que outrora eram lugares de aconselhamentos bíblicos agora se tornaram sala de executivos e vendedores do reino. Em épocas de eleições “quem dá mais” tornou-se a nota cantada por muitos pastores. Eles procuram apoiar aqueles que lhes dão uma proposta financeira melhor. Quem dá mais receberá o apoio total. O rebanho é vendido por estes líderes. A igreja se tornou uma plataforma onde esses líderes se exibem com seus carrões importados. A igreja brasileira se tornou apenas um trampolim para o sucesso político em épocas de eleições.

Escândalos e mais escândalos estão se acumulando entre estes líderes sanguessedentos por dinheiro. Eles não têm voz ativa na política porque foram comprados. Eles não têm influência porque já foram influenciados pela corrupção.

O ministério para eles é apenas um trampolim para galgar posições políticas. A sede pelo poder solapa nossa liderança. Como disse Lord Acton: “o poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente”.

Isto e outras coisas têm impedido de experimentarmos um autêntico avivamento. Os líderes que deveriam chorar entre o alpendre e o altar arrependidos clamando por um avivamento estão envolvidos em jogos políticos.

Os púlpitos se tornaram plataformas políticas. Os pregadores e cantores buscam fama e reconhecimento. Deus está sendo relegado a um mero empresário de Seu Reino. Cantores e pregadores buscam fama e glória e, tornam Deus apenas um gênio da lâmpada mágica que satisfaça os seus três grandes desejo: “Fama, Sucesso e Riqueza”.

Eles pregam para entreter bodes e não para alimentar o rebanho de Deus, como dizia Charles Spurgeon. Eles cantam para dá show e não para glorificar a Deus, edificar o povo de Deus e evangelizar os povos. Muitos mestres têm se levantado para coçar os ouvidos de um povo que não tem prazer na exposição das Escrituras Sagradas. Quanto mais curto for o sermão melhor será. Quanto mais entretenimento e chamariz tiverem nos “cultos”, mais pessoas serão atraídas. Nosso Senhor não nos ordenou fazer concentrações para atrair o povo, mas ir e pregar o evangelho a toda a criatura (Mc 15.16).

Oração Interrogativa: Por que a igreja evangélica brasileira não pode experimentar o avivamento? O que a impede de ter em seu contexto diário a presença vivificadora da graça de Deus?

Oração Transitiva: Algumas coisas são dignas de notas. Passamos a elencar alguns itens que impedem a igreja evangélica brasileira de experimentar um genuíno avivamento.

(1) Há uma falta de interesse e até mesmo antagonismo para com a idéia de avivamento.

Os líderes das igrejas ou não falam sobre o avivamento ou são totalmente contra os avivamentos. Eles falam mais de prosperidade do que de avivamento. Eles buscam mais seus próprios interesses do que os interesses de Deus. Pois, no avivamento os interesses de Deus são elevados a prioridade máxima da igreja. Veja as prioridades de uma igreja avivada por Deus na Bíblia e na História da Igreja.

Infelizmente grandes teólogos não têm se empenhado em suas grandes obras de teologia para descreverem os avivamentos. O Dr. Lewis Sperry Chafer em sua grande obra sobre pneumatologia, não faz menção nenhuma de avivamentos. O grande teólogo Charles Hodge também não se interessava em avivamento.

Martyn Lloyd-Jones diz: “Um homem como Charles Hodge torna-se um teólogo e, daí, tende a não pensar como devia em termos da Igreja em sua situação local e concreta, e sim em termos de grandes e abstratos sistemas de verdade”[1].

Muitos líderes não se interessam por avivamento, (avivamento é uma obra de Deus no meio do Seu povo) porque estão interessados em seus próprios negócios. Estes líderes estão envolvidos tanto com seus negócios lucrativos que não desejam uma atuação poderosa de Deus. Eles sabem que se Deus intervir com uma poderosa visitação dos céus eles poderão perder seus empregos, pois se tornaram meros profissionais que visam o lucro e não a glória de Cristo. Todo verdadeiro avivamento centraliza Cristo e descentraliza os homens. Nos grandes avivamentos na Bíblia e na História da Igreja os profissionais são destronados e Deus entronizado, e Sua Palavra pregada, e Cristo anunciado com poder do Espírito Santo e homens e mulheres de Deus são usados para a glória de Deus, edificação da igreja e salvação dos perdidos.

Um avivamento é uma bomba lançada no playground de muitos líderes da igreja brasileira! Oh Deus, lança-a sobre nós!

(2) Há uma ênfase naquilo que o homem faz e organiza.

Hoje nós contemplamos uma dependência de métodos humanos. A filosofia que dita nosso ministério é a filosofia de marketing e não uma filosofia bíblica de ministério.

Os homens estão à procura de melhores métodos para alcançar os perdidos. Eles procuram toda sorte de meios para alcançar os fins. Eles afirmam que os fins justificam o uso de qualquer meio, contanto que os objetivos sejam alcançados.

A ênfase está sendo dada nas manipulações humanas e não na obra e poder do Espírito Santo. Nunca iremos experimentar um autêntico e genuíno avivamento se dependermos de manipulações psicológicas dos homens. Avivamento é uma obra sobrenatural de Deus Espírito Santo e não manipulação metódica do ser humano.

Não precisamos usar meios escusos para atrair a multidão. Quando o Espírito Santo desce com poder as pessoas são atraídas para glória de Deus (At 2). Quando a Palavra de Deus é exposta por homens cheios do Espírito Santo os pecadores são regenerados pelo Espírito de Deus. Cristo é exaltado e se torna o centro da pregação. Não apenas notas magras, mas um conteúdo maiúsculo sobre Cristo e Sua obra são expostos.

As pessoas preferem seguir os métodos pelagianos de Charles Finney que negava o pecado original e que só somos culpados e corruptos quando escolhemos pecar. Para ele a obra de Cristo não pagou nossa dívida, ela só poderia servir como um exemplo e uma influência moral para nos convencer a arrepender-nos. Ele admitia: “É verdade que a expiação, por si só, não assegura a salvação de ninguém”.[2] Muitas igrejas estão norteadas por esta teologia de Charles Finney do que pela teologia bíblica centrada em Cristo para a glória de Deus de Paulo, João, Policarpo, Atanásio, Agostinho, Martinho Lutero, João Calvino, John Huss, John Knox, Jonathan Edward, Charles Spurgeon, Martyn Lloyd-Jones e grandes outros instrumentos dos poderosos avivamentos. Aquele enfatiza as emoções e ações dos homens, estes enfatizaram o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo Jesus para a glória e centralidade de Deus na Igreja.

(3) A igreja evangélica brasileira não experimentará um verdadeiro avivamento da parte de Deus se continuar a barganhar com o evangelho.

O evangelho não é um produto que podemos negociar. O evangelho não é uma mercadoria de consumo e nem mesmo um meio de ganhar dinheiro.

Paulo o grande pregador do evangelho disse consistentemente em 2a Coríntios 2.17: “Porque nós não estamos, como tantos outros, mercadejando a Palavra de Deus; antes, em Cristo é que falamos na presença de Deus, com sinceridade e da parte do próprio Deus”.

John MacArthur escreveu: “A palavra mercadejando é oriunda do verbo grego que significa “corromper”, essa palavra passou a se referir aos vendedores ambulantes corruptos, ou aos homens trapaceiros que por sua inteligência e capacidade de enganar conseguem vender como genuíno um produto inferior que é apenas uma imitação barata. Os falsos mestres na igreja estavam chegando com uma retórica inteligente e enganosa para oferecer uma mensagem degradada e adulterada que misturava o paganismo com a tradição judaica. Eles eram homens desonestos que buscavam lucro pessoal e prestígio à custa da verdade do evangelho e da alma das pessoas”[3].

Não podemos corromper ou manipular o evangelho! O verdadeiro avivamento inundará nossas igrejas e nossa nação quando pregarmos e vivermos o santo evangelho de Deus. O evangelho é a mensagem de arrependimento para o homem pecador. O evangelho é a mensagem de Deus para o homem. O evangelho é o poder de Deus para todo aquele que Nele crê. O evangelho é o próprio Deus! O evangelho é Deus Se doando para nós em Cristo Jesus (Jo 3.16). A mensagem do evangelho não é um conto sobre as obras heróicas dos homens, mas a demonstração do caráter de Deus em Cristo (Rm 5.8). O evangelho não é o homem se reconciliando com Deus, mas é Deus por meio de Cristo reconciliando o mundo consigo (2Co 5.17-21). A mensagem do evangelho não é sobre os homens, mas é sobre Deus. Não são as boas novas daquilo que o homem fez para alcançar o favor de Deus, mas são as boas notícias daquilo que Deus fez por meio de Cristo para nos salvar.

A mensagem do evangelho é escândalo para uns e loucura para outros, mas para todos que são salvos é o poder de Deus (1Co 1.18). E sendo o poder de Deus não devemos nos envergonhar deste evangelho (Rm 1.16).

O evangelho não trata da pobreza dos homens, mas das insondáveis riquezas de Cristo (Ef 3.8). O evangelho não trata das justiças dos homens, mas revela a justiça de Deus em Cristo Jesus (Rm 1.17). E este evangelho não é apropriado pelas obras, mas pela fé somente (Rm 3.21,22; 5.1). A salvação anunciada no evangelho não é pelo trabalho do homem (Rm 4.5), mas pela obra de Cristo somente (Rm 5.1,10).

O evangelho não é sobre mim, mas sim sobre Cristo. O evangelho não é o que eu faço ou algo para fazer. O evangelho é o que Deus fez para que eu creia. O evangelho não está no imperativo, mas no indicativo. O evangelho aponta a obra de Deus e não uma obra que eu devo fazer para Deus.

Quando a igreja brasileira compreender o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo ela experimentará um verdadeiro avivamento. A História bíblica e eclesiástica nos mostra que quando a igreja redescobriu as verdades de Deus ela testemunhou uma reforma e avivamento.

Voltemos ao evangelho!



[1] Em Os Puritanos: Suas Origens Seus Sucessos, pg. 21. Editora PES.

[2] Apud Michael Horton em Cristianismo sem Cristo, pg.38. Editora Cultura Cristã.

[3] Em Bíblia de Estudo MacArthur, pg. 1563. Ano 2010. Sociedade Bíblica Brasileira.

terça-feira, agosto 31, 2010

A Centralidade da Cruz na Igreja de Cristo


A pregação da cruz deve ser central em nossa vida e ministério. A cruz de Cristo é a pedra de toque de todo ministério cristão. A cruz deve ser vista “como o teste e o padrão de todo ministério cristão autêntico”[1]. A cruz de Cristo não deve ser vista apenas como um meio de nossa salvação, mas também devemos observar as múltiplas funções que perpassa a doutrina da cruz em todo o Novo Testamento.
A centralidade da cruz precisa ser evidenciada em todos os aspectos de nosso ministério. Precisamos enfatizar a cruz de Cristo na adoração a Deus, na edificação da igreja, no discipulado cristão, na disciplina eclesiástica e na evangelização do mundo. A cruz é central! A glória da igreja está em sua ênfase sobre a cruz de Cristo. A glória da igreja é a glória da cruz de Cristo. Paulo disse: “Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo [...]” (Gl 6.14). Na vida cristã e em todo o universo nada se compara com a glória da cruz de Cristo Jesus.
Por que um homem como Paulo se gloriava unicamente na cruz de Cristo? Ele tinha muitas credenciais que poderiam ser sua glória. Mas, ele não se gloria em nenhuma de suas credenciais ou mesmo em nenhum de seus antigos mestres. Sua glória estava na cruz de Cristo. O Cristo da cruz era sua paixão e seu bem maior. Paulo sabia que através da cruz Cristo lhe conquistara e o atraíra. O Senhor Jesus disse em João 12.32: “E Eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a Mim mesmo”. A cruz ergueu a Cristo como o grande alvo e como nossa grande esperança de salvação e reconciliação com o Deus irado.

A doutrina da cruz de Cristo sustém a igreja de Deus em todos os aspectos de sua vida e ministério. A cruz é a base, e o meio e o alvo do ministério cristão e também de nossa vida como cristãos.

Não importa a situação do mundo, não podemos abandonar a pregação da cruz de Cristo. Não é o mundo que dita o conteúdo de nossa pregação, mas é Deus! E Deus nos diz em Sua Palavra que a cruz de Cristo é central em nossa mensagem ao mundo. Paulo disse: “Porque decidi nada saber entre vós, senão Jesus Cristo, e este crucificado” (1Co 2.2).
O que o mundo precisa não é de mensagens motivacionais. Não é de mensagens terapêuticas ou psicológicas. Mas o que o mundo precisa é da mensagem da Cruz!
Talvez os pregadores motivacionais digam: “não, não podemos pregar sobre a cruz, pois isso vai desmotivar as pessoas”!
Ou podemos ouvir os psicólogos vociferarem: “não podemos falar da cruz, pois isto é um golpe na auto-estima das pessoas! Nós devemos elevar a auto-estima delas”!
Paulo chama estes pensadores de inimigos da cruz de Cristo (Fp 3.18). Paulo disse em 1Coríntios 1.17: “Porque não me enviou Cristo para batizar, mas para pregar o evangelho, não com sabedoria de palavra, para que se não anule a cruz de Cristo”.
A missão da igreja é pregar o evangelho da cruz e não um “evangelho” da auto-estima. A missão da igreja é pregar o evangelho, não em sabedoria de palavra das novas idéias aplaudidas pelo mundo, para que não anule a cruz de Cristo.

A mentalidade do mundo nunca foi e nunca será favorável a mensagem da cruz. E Paulo elenca pelo menos três concepções do mundo com relação à cruz de Cristo:
(1) Escândalo: A pregação da cruz de Cristo para os judeus é escândalo. A palavra grega que Paulo usa é skandalon significando “qualquer impedimento colocado no caminho e que faz alguém tropeçar ou cair”. Figuradamente “aplicado a Jesus Cristo, cuja pessoa e ministério foram tão contrários as expectativas dos judeus a respeito do Messias, que o rejeitaram e, pela sua obstinação, fizeram naufragar a própria salvação”.
O que há de magnífico em um rei perdurado num madeiro, diziam eles! Não vemos nem um milagre, mas apenas impedimento.
A cruz é um impedimento e pedra de tropeço para os judeus porque ela vai de encontro e contra todas as suas expectativas e idéias.
A mensagem da cruz de Cristo nunca satisfará os anseios egoístas das pessoas. Pelo contrário, a mensagem da cruz é um golpe certeiro no egoísmo humano.
A cruz de Cristo sempre será um alvo de desprezo para este mundo.

(2) Loucura: Para os gentios/gregos a pregação da cruz é para loucos e não para pessoas sábias. Eles se achavam os detentores da sabedoria. Eles destilavam em seus discursos grandes palavras de persuasão humana. Eles eram mestre na técnica da retórica. Eram peritos em eloqüência. Para eles a pregação da cruz não tinha nada de atrativo. Era coisa de louco.
Para muitos “sábios” na cidade grega de Atena, a capital da sabedoria, Paulo era um tagarela (At 17.18).

(3) Fraqueza: Para todos os povos e principalmente para os judeus a cruz é sinônima de fraqueza.
Não há, diziam eles, nenhum poder demonstrado num homem pendurado num madeiro. Isso não é força, mas fraqueza.

Para o mundo a cruz de Cristo é escândalo, loucura e fraqueza. Não a nada de atrativo nisso, diz o mundo.

Devemos operar sobre dois princípios apresentados na seguinte frase: “Devemos pregar de tal maneira para confrontar/perturbar os confortados e, consolar os perturbados”.
A pregação da cruz de Cristo é um confronto a mentalidade confortada pelo pecado. As pessoas amam o pecado e quando pregamos a mensagem da cruz de Cristo elas são confrontadas com a revelação de que Deus odeia o pecado. A cruz revela o caráter santo de Deus e Ele não tolera o pecado. O pecado é uma afronta a Deus. E as pessoas que pecam estão afrontando a Deus. E na cruz de Cristo Deus mostra para essas pessoas que Ele trata com severidade o pecado. Pois, a cruz revela a Sua justa ira contra o pecado.

Mas, também a pregação da cruz de Cristo é um consolo para os perturbados, para os cansados e sobrecarregados (Mt 11.28-30). A mensagem da cruz é um alívio para aqueles que estão em desespero e não sabem o que fazer. É pela mensagem da cruz que mostramos a estas pessoas que Deus já fez tudo por elas em Cristo Jesus na cruz. E que elas precisam apenas se arrepender de seus pecados e voltar-se com fé para Cristo Jesus. Pois, a cruz de Cristo revela o grande amor de Deus por elas sendo elas ainda pecadoras. A cruz de Cristo não revela o valor da humanidade, mas revela o valor do amor/caráter de Deus. Paulo disse isso quando escreveu em Romanos 5.8:

“Mas Deus prova o Seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores”.

O apóstolo João disse isso em outras palavras quando escreveu em 1João 3.1:

“Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus; e, de fato, somos filhos de Deus. Por essa razão, o mundo não nos conhece, porquanto não o conheceu a Ele mesmo.”.

O teólogo e pastor John Piper disse acertadamente:

“O amor de Deus por nós não se revela principalmente em que Ele nos valoriza, e sim em que Ele nos dá a capacidade de nos regozijarmos em apreciá-Lo para sempre. Se centralizamos e focalizamos o amor de Deus em nosso valor, estamos nos afastando do que é mais precioso, ou seja, Ele mesmo. O amor labuta e sofre para nos cativar com aquilo que é infinita e eternamente satisfatório: Deus mesmo. Por conseguinte, o amor de Deus labuta e sofre para aniquilar nossa escravidão ao ídolo do “eu” e focalizar nossas afeições no tesouro de Deus”
[2].

A cruz de Cristo mostra que o homem não é o centro do universo, mas Deus o é. Para a maioria das pessoas o amor de Deus tem de colocá-las no centro de tudo. Mas a cruz nos mostra que Deus ama as pessoas para Sua glória. Não é o bem-estar das pessoas que em última análise Deus almeja, mas Sua glória e a demonstração para Suas criaturas de que a verdadeira felicidade delas está em Cristo Jesus, a dádiva de Deus para a humanidade (Jo 3.16).
John Piper nos diz: “O amor é fazer tudo que for necessário para ajudar os outros a verem e experimentarem a glória de Deus em Cristo, para todo o sempre. O amor mantém a Deus no centro, porque a alma foi criada para Deus”
[3]. E só encontrará verdadeira felicidade, prazer e descanso em Deus.
[1] D. A. Carson em A Cruz e o Ministério Cristão, pg. 11. Editora Fiel.
[2] Em Penetrado Pela Palavra, pg. 09,10. Editora Fiel.
[3] Op. Cit., pg. 12.

terça-feira, agosto 10, 2010

O Pregador Atalaia



“Também pus atalaias sobre vós, dizendo: Estai atentos ao som da trombeta; mas eles dizem não escutaremos” (Jr 6.17).



A tarefa das atalaias eram advertir o povo do perigo que se aproximava. Os profetas de Deus continuamente recebiam a Palavra de Deus para avisar o povo do perigo iminente. Deus disse a Ezequiel: “Filho do homem: Eu te dei por atalaia sobre a casa de Israel; da Minha Boca ouvirás a Palavra, e os avisarás da Minha parte” (3.17).
Notem que o profeta-atalaia não inventava a mensagem, mas apenas e sublimemente transmitia a Palavra que ouvia da boca do Senhor Deus.
Deus é contra todos aqueles profetas, pregadores, ensinadores; educadores e mestres que falam o que Deus não falou. Costumo dizer em minhas pregações que Deus não tem compromisso com as palavras do pregador, mas com a Sua Palavra que o pregador transmite ao povo. Deus honrar não o que eu penso sobre Sua Palavra, mas aquilo que paro para ouvir o que Deus está dizendo em Sua Palavra para mim e para a Igreja do Senhor. Deus não zela pela minha palavra, pelos meus sonhos e pelas minhas idéias alegóricas, mas a Escritura é bastante peremptória quando diz em Jeremias 1.12: “[...] porque Eu velo sobre a Minha Palavra para cumpri-la”.
Todo o Ser de Deus está voltado para o cumprimento de Sua Palavra! O Senhor Jesus disse em Mateus 24.35: “Passará o céu e a terra, porém, as Minhas Palavras não passarão”. Nesta mesma sintonia o salmista declarou: “Para sempre, ó SENHOR, está firmada a Tua Palavra no céu” (Sl 119.89). Quero vê como encaram este versículo aqueles que dizem que no céu só teremos louvor, se a Palavra do SENHOR está para sempre FIRMADA no CÉU!

Sabemos que a Palavra de Deus é a expressão externa de Seu Ser manifestando a Sua vontade. Então podemos está seguros de que Deus fará toda a Sua vontade revelada em Sua Palavra. Veja esta verdade perene em Isaías 46.9-11:
“Lembrai-vos das coisas passadas da antiguidade: que Eu Sou Deus, e não há outro, Eu Sou Deus, e não há outro semelhante a Mim; que desde o princípio anuncio o que há de acontecer e desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam; que digo: o Meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade; que chamo a ave de rapina desde o Oriente e de uma terra longínqua, o homem do Meu conselho. Eu o disse, Eu também o cumprirei; tomei este propósito, também o executarei.”
É a Sua Palavra e não às minhas idéias que Deus cumprirá e executará!
Então, ai do profeta, pregador ou mestre que não esteve no conselho do SENHOR, e enchem de vãs esperanças o povo do SENHOR falando das visões do seu coração corrompido, proclamando uma paz fictícia, e não o que vem da Boca do SENHOR (cf. Jr 23.16-18).

Devemos seguir o exemplo altaneiro de Paulo. Escrevendo aos cristãos da cidade de Corinto diz: “Porque nós não estamos, como tantos outros, mercadejando a Palavra de Deus; antes, em Cristo é que falamos na presença de Deus, com sinceridade e da parte do próprio Deus” (2Co 2.17).
O obreiro não manipula a Palavra da Verdade. O obreiro não mercadeja ou negocia com a Palavra da Verdade, falsificando-a. O obreiro não se preocupa ou se ocupa em expor suas idéias, opiniões, visões do seu coração (Jr 23.16), profecias mentirosas (Jr 23.25), sonhos (Jr 23.25-28; 27.9; 29.8) e etc., mas a Palavra do SENHOR (Jr 23.28). Devemos ter o cuidado para não furtar e torcer as Palavras do SENHOR ao nosso próximo (Jr 23.30, 36). Corremos o perigo de usar a nossa própria linguagem (Jr 23.31), em vez da linguagem do SENHOR – Sua Palavra Escrita (Rm 15.18-21; 1Co 2.2; 2Tm 2.2; 1Pe 4.11). Oh! Que sejamos como Jeremias quando disse: Eis que não sei falar; porque ainda sou um menino (Jr 1.6). Só assim, o SENHOR estenderá a Sua mão, e tocará a nossa boca, dizendo: Eis que ponho as Minhas Palavras na tua boca (Jr 1.9). Bem como Moisés, que disse: Ah, meu Senhor! Eu não sou homem eloqüente, nem de ontem nem de anteontem, nem ainda desde que tens falado ao Teu servo; porque sou pesado de boca e pesado de língua (Ex 4.10). Ouçamos a resposta divina: Vai, pois, agora, e Eu serei com a tua boca e Te ensinarei o que hás de fazer (Ex 4.12). Creio, piamente, que só deixaremos o nosso palavreado profano quando vislumbrarmos a Santidade do Deus soberano (Is 6.5-7). E depois disso, ouviremos o Senhor dizendo: “Vai, e dize a este povo...”. Só digamos algo se Ele nos mandar! Por isso, falemos as Suas Palavras e não as nossas palavras contaminadas!
Atenciosamente,
Pastor F. Ivan Teixeira da Silva
escravo da Palavra.

segunda-feira, julho 05, 2010

O Obreiro e a Palavra!


Cito pelo menos três motivos porque acho oportuno falar sobre o Obreiro e a Palavra de Deus.
O Primeiro deles é:
1) Se os obreiros pregarem fielmente a Palavra de Deus, nossas igrejas não se tornarão refúgios para pecadores obstinados.
Os crentes serão convencidos de seus pecados, e a maioria dos incrédulos ou se arrependerá, ou sairá (Jo 3.20; 6.60-71).
Hoje a maioria dos obreiros tornam-se mestres em entreter o auditório.
Infelizmente, muitas congregações estão tornando-se refúgios de pecadores obstinados. São pessoas que vêem às igrejas para fazerem campanhas, sanguessedentas pelas bênçãos de Deus, mas sem nenhum compromisso pessoal com o Deus das bênçãos.
Pecadores são convidados para fazerem campanhas, mas nunca são exortados a se arrependerem de seus pecados. Continuando no lamaçal do pecado eles exigem e determinam “bênçãos” de Deus para suas vidas. Oh! Miseráveis pecadores! Quem vos ensinou a fugir da ira vindoura, produzi, pois frutos dignos de arrependimento e não presumais de vós mesmos dizendo: “Somos fiéis no comparecimento de nossas campanhas; cumprimos nossos votos”, pois Deus não terá o culpado por inocente e nem o inocente por culpado! Arrependei-vos e crede no Evangelho do Senhor Jesus Cristo! Evangelho este, que exige renúncia do pecado e de outros entraves que impossibilitam uma comunhão com o Deus que é santíssimo.
Sim, obreiros de Deus! Pregai a Palavra, instando a tempo e fora de tempo, repreendendo, corrigindo e exortando com toda a paciência e doutrina. Pois virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina; ao contrário, sentido coceira nos ouvidos, juntarão mestre para si mesmos, segundo os seus próprios desejos. Eles se recusarão a dar ouvidos à verdade, voltando-se para os mitos. Vocês, obreiros de Deus, sejam moderados em tudo, suportando os sofrimentos, façam a obra de um obreiro digno de aprovação de Deus (cf. 2Tm 2.15), cumpram plenamente o vosso ministério (cf. 2Tm 4.2-5). Não abram mão da verdade revelada. Preguem esta Palavra com afinco e esmero até a exaustão (cf. 1Tm 5.17), pois fazendo isto, haverá salvação, tanto de vós mesmos como dos que vos ouvem (cf 1Tm 4.16).
O Segundo deles é:
2) Pelo motivo do SENHOR Deus ter exaltado a Sua Palavra acima do Seu Nome (Sl 138.2 ACF), ou como diz a ARA, “magnificaste acima de tudo o Teu Nome e a Tua Palavra”.
Derek Kidner considera esta expressão entranha e uma declaração estranha se “Teu Nome” tiver o significado usual empregado nas Escrituras da revelação Pessoal de Deus, pois Deus Se revela pelo Seu Nome (cf Ex 3.14,15; 6.2,3; Jr 16.21). A resolução quanto a esta tradução é que o único sentido de uma frase assim pode ser que Deus cumpriu Sua promessa de tal modo que ultrapassa tudo quanto até então tem sido revelado acerca dEle. Mas, Derek Kidner ainda diz que esta expressão seria um modo estranho de declarar a resolução acima mencionada. Então se chega à conclusão que um copista omitiu a letra “w”, com o significado de “e” , de um texto que dizia: “pois magnificaste acima de tudo o Teu Nome e a Tua Palavra” .
Já o Terceiro motivo de desenvolver este tema do obreiro e a Palavra é:
3) Pelo motivo de que o Senhor Jesus almeja que a nossa fé seja alicerçada nas Escrituras.
A nossa fé pode ser alicerçada (a) nos milagres (Jo 6.60), como também (b) em experiências (Lc 24.27; Jo 20.24-29) e (c) bem como em Deus e Sua Palavra (Mc 11.22; Rm 10.17; Hb 4.2,6,12,13).

I. A Importância da Palavra de Deus Para o Obreiro Cristão.
O lugar de importância da Palavra de Deus em nossas vidas determinará a produtividade de nosso ministério na casa do SENHOR.
Caso a Bíblia não tenha importância, ou tenha apenas uma importância secundária em nossa vida e ministério, sofreremos naufrágio na certa.
Qual é a importância da Palavra de Deus para mim? Essa deveria ser uma indagação na avaliação do candidato ao santo ministério. Dentre várias concepções cito três por que creio abranger as demais.
1. Alguns dizem que a Bíblia é apenas mais um livro.
2. Outros dizem que ela é até importante, visto que o seu pastor fala dela. Mas não têm interesse de lê-la e estudá-la. Há exortações e promessas para os que lêem e estudam as Escrituras Sagradas (cf 1Tm 4.13; Ap 1.3; Lc 4.16 e Js 1.8; Sl 1.2; 1Tm 4.15 ).
3. Ainda outros, enlevam a importância da Bíblia para sua vida e ministério.

A Bíblia é a Palavra de Deus e é por isso que ela se torna importante para o obreiro cristão.
E, por a Bíblia ser a Palavra de Deus, significa que ela tem várias características e qualidades que a torna extremamente importante em nossa vida. Veremos as mais importantes:

01. Por que Estudar a Bíblia?
Antes de considerarmos as razões para estudar a Bíblia, faz-se necessário fazê-lo antecipando com duas razões invocadas para não se estudar a Bíblia.
Essas “razões” freqüentemente revelam mitos como truímos por força de constante repetição . Ou seja, há o perigo de repetirmos algo constantemente aponto de tornar-se verdade.
1) A Bíblia é de difícil compreensão.
Há pessoas que evocam o mito de que as Escrituras Sagradas é tão difícil de compreender que apenas teólogos altamente especializados e com treinamento técnico podem ocupar-se de seu estudo.
2) A Bíblia é enfadonha.
Tal afirmação reflete não tanto uma incapacidade de entender o que está escrito, mas um gosto e uma preferência por aquilo que se considera interessante ou empolgante.
Há alguns que citam o texto de Ec 12.12, interpretando-o erroneamente, para apoiar essa posição.
Só consideramos algo como enfadonho quando não nos interessa. Se afirmarmos tal coisa é porque precisamos de um genuíno arrependimento. Precisamos mudar nossa mente a respeito deste particular.
Somente os insensatos rejeitam, desprezam e endurecem seus corações e não ouvem e entendem as Palavras do Senhor (Sl 50.17; Is 5.24; Jr 6.10; 26.23; Zc 7.12).

Tabela 1: Atitudes dos Ímpios quanto à Bíblia.
Desprezam-na Am 2.4.
Esquecem-se dela Os 4.6.
Abandonam-na 2Cr 12.1; Jr 9.13.
Recusam-se dar-lhe ouvidos Is 30.9; Jr 6.19.
Recusam-se a anda nela Sl 78.10.
Rejeitam-na Is 5.24.

3) Razões erradas para um estudo das Escrituras.
Como pode ser observado, infelizmente, há aqueles que estudando as Escrituras Sagradas são levados a fazê-lo com motivações erradas. Quando assim sucede somos prejudicados em vez de beneficiados pelo estudo das Escrituras. Eis alguns exemplos:
a) Alguns estudam as Escrituras a fim de satisfazerem seu orgulho literário.
b) Outros estudam a Bíblia para satisfazer seu senso de curiosidade, como o fariam com qualquer outro livro famoso.
c) Ainda outros estudam para satisfazer seu orgulho sectarista.
d) E por fim, há aqueles que estudam o Livro Sagrado com a finalidade de argumentar com êxito com aqueles que discordam de suas opiniões.

4) Razões para um estudo proveitoso das Escrituras.
a) Devemos estudar as Escrituras porque “...nem só de pão viverá o homem, mas de toda a Palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4.4).

b) O povo de Israel deveria estudar as Escrituras – ensinando, falando, atando e escrevendo – para “...que não te esqueças do SENHOR, que te tirou da terra do Egito, da casa da servidão” (cf. Dt 6.6-9,12).

c) Há necessidade de estudar-se as Escrituras “...como obreiro que não tem de se envergonhar, que maneja bem a Palavra da verdade” (2Tm 2.15).

d) Precisamos estudar devagar as Sagradas Letras “...que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus” (2Tm 3.15). As Escrituras é o poder de Deus para a salvação (cf. Rm 1.16).

e) Devemos estudar as Escrituras “...como meninos novamente nascidos...”, que anelam ardentemente “... o leite racional, não falsificado, para que por ele vades crescendo para a salvação” (1Pe 2.2 ARA).
O estudo detido da Palavra de Deus torna-se de suma importância para o crescimento do cristão salvo em Cristo Jesus. Quando o cristão ou obreiro anela/deseja intensamente pela Palavra de Deus, ou seja, tem prazer na Lei do SENHOR e na Sua Lei medita de dia e de noite (cf. Sl 1.2), como crianças que almejam afetuosamente o leite materno, chegará a um alvo concreto. O leite racional da Palavra de Deus objetiva o crescimento para a salvação. O crescimento não é obra dos obreiros, mas lhes é dado por Deus (cf. 1Co 3.6). “O crescimento é para a salvação, que é o alvo do processo (1Pe 1.9). Para Pedro a salvação é colocada no fim dos tempos (cf. 1Pe 1.5), sendo trazida quando Cristo vier novamente ao mundo (1Pe 1.13); atualmente, para os crentes, é objetivo de “viva esperança” (cf. 1Pe 1.3)” .
Nesta seqüência temos a afirmação de Paulo:

“Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem” (1Tm 4.16).

Se realmente quisermos ser uma bênção para a obra de Deus nós, ministros, diáconos, presbíteros – naquela época Timóteo –, devemos casar o viver santo – “Tem cuidado de ti mesmo...” – e o ensino íntegro – “...e da doutrina”. Aqui o obreiro é admoestado por Paulo a continuar atentando para si mesmo, ou seja, para seus deveres, sua vida, seus dons, seu privilégio de atingir as profundezas da promessa de Deus – “...te salvarás...”; particularmente, também, para a doutrina. O obreiro precisa permanecer ou perseverar nessas coisas, ou seja, na vida santa e na vigilância em referência ao ensino. A promessa é: “...porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem”. Não há dúvidas de que a salvação não se consegue por meio das obras (cf. Tt 3.3; Ef 2.6-8); todavia, uma vez que o viver santo e a sã doutrina são o fruto da fé, Paulo está apto a dizer que “ao agir assim” o obreiro salvará a si e aos seus ouvintes .
O obreiro deve também desenvolver a salvação com temor e com tremor (cf. Fp 2.12), ou seja, levá-la à sua conclusão, digeri-la completamente e aplicá-la ao viver diário. Deve envidar todo esforço para produzir o fruto do Espírito Santo (cf. Gl 5.22,23). O obreiro deve almejar nada menos que a perfeição moral e espiritual.
William Hendriksen afirma sobre o texto de Fp 2.12 que:

Não nos equivocamos ao afirmarmos que, em tal contexto, o tempo do verbo indica que Paulo tinha em mente a idéia de um esforço contínuo, vigoroso, estrênuo: “Continuai a operar (=a desenvolver)”. Os crentes não são salvos de um só golpe, por assim dizer. Sua salvação é um processo (cf. Lc 13.23; At 2.47; 2Co 2.15). É um processo no sentido em que eles mesmos, longe de permanecerem passivos ou inativos, tomam parte ativa. É um prosseguir, um seguir após, um avançar com determinação, uma contenda, uma luta, uma corrida (vd. Fp 3.12; também Rm 14.18; 1Co 9.24-27; 1Tm 6.12) .

É Deus quem está operando em nós esta tão grande salvação (cf. Fp 2.13). Se não fosse o fato de Deus estar operando em nós, jamais estaríamos a operar a nossa própria salvação.

f) É preciso debruçar-se no Livro Sagrado, pois é “a palavra de Deus, a qual também opera em vós, os que crestes” (1Ts 2.13).

Que possamos adorar a Deus e estudar Sua Palavra para sermos obreiros aprovado para Sua glória e edificação da igreja.


Soli Deo Gloria!

sábado, julho 03, 2010

CONTENTAMENTO CRISTÃO!



Como cristãos salvos por Deus por meio de Cristo Jesus devemos aprender a estar contentes tanto com o que Deus nos dá quanto com o que Ele não nos dá. A graça de Deus é Seu eterno favor imerecido para nós, mas Sua soberana graça também nos priva de muitas coisas que Deus não quer que nós usufruamos.
No conhecido texto de 2Samuel 11–12 o rei Davi aprende a respeito da graça de Deus. Neste texto vemos o processo, apresentado pelo narrador, por meio do qual Davi, mesmo sendo rei, aprende o contentamento com a graça de Deus, isto é, a aceitar o que Deus graciosamente dá e graciosamente retém. Deus não deu Bate-Seba a Davi. Ela era de Urias. Veja no texto que Urias teve mais honra embriagado do que Davi quando estava sóbrio! Quando não estamos contentes com o que Deus nos dá um ébrio é mais sóbrio do que nós!
Urias mesmo embriagado honrou a Deus, ao rei e aos soldados que ficaram na batalha. Mas, infelizmente o rei Davi em sua sobriedade embriagou-se na promiscuidade. Querendo aquilo que a graça de Deus não lhe deu.

Cada cristão precisa aprender a aceitar o que a graça de Deus lhe concedeu e o que a graça não concedeu. Ou seja, os cristãos precisam aprender a ficar satisfeitos com os presentes generosos de Deus.
Paulo disse: "Aprendi a viver contente em toda e qualquer situação" (Fp 4.11). Há aqueles que só se contentam com o que Deus dá, mas ficam irritados com aquilo que o Soberano Deus não os dá. Para Paulo o verdadeiro contentamento não está em receber e não-receber, mas na decisão soberana da graça de Deus! O que Deus em Sua eterna graça decidisse para Paulo ele abraçaria alegremente, pois em todas essas coisas ele era fortalecido em Cristo (Fp 4.13).

Quem ou o que deve ser a fonte do contentamento cristão?
Para Paulo e para todo o cristão verdadeiro a resposta é Deus! O Deus que Se revelou por meio de Jesus Cristo!
Então, a vida cristã é uma vida de contentamento em Deus por meio de Cristo no usufruto da presença de Deus Espírito Santo!
Paulo estaria contente em toda e qualquer situação porque a fonte de sua alegria não estava nas circunstâncias, mas Naquele que o fortalecia em todas elas – o próprio Deus por meio de Cristo!
Agostinho disse que “feliz é aquele que possui a Deus”. Ele também disse em suas Confissões: “Tu nos fizestes para Ti mesmo, e nossos corações não acham paz, enquanto não descansam em Ti”. Agostinho trabalhou com todo o seu vigor para fazer conhecido e amado, no mundo, este Deus de graça e alegria soberanas para nosso contentamento.
Infelizmente, a nota de contentamento em Deus descrita por Agostinho está ausente da maioria das pregações e de nossas igrejas hoje. Ainda com tristeza digo que, infelizmente “teologias” que colocam o homem como o centro de todas as coisas e um “contentamento” baseado na busca frenética nos prazeres temporários desta vida imperam nas nossas comunidades.
Como disse o teólogo R. C. Sproul que ainda hoje “não ficamos livres do cativeiro pelagiano na igreja”. Pelágio, um monge britânico, era um pregador popular nos anos 401 a 409 d. C. Ele era o arquiinimigo de Agostinho porque rejeitava a noção de que a vontade do homem era escravizada pelo pecado e necessitava de graça especial para crer em Cristo e fazer o bem. Ele rejeitava a oração de Agostinho: “Dá-me graça [ó Senhor] para fazer o que Tu ordenas e ordena-me fazer o que Tu queres”. R. C. Sproul disse: “Precisamos de um Agostinho ou de um Lutero para falar conosco novamente, para que a graça de Deus não seja obscurecida nem obliterada em nossa época”.
Mas, mesmo que outro Lutero ou Agostinho não se levantem, Deus pode nos usar! Nós que nos deleitamos em Deus para Sua eterna glória na manifestação de Seu eterno Filho. E isto acontecerá quando nos arrependermos das fontes erradas que a igreja atual busca para encontrar o contentamento. Nosso Senhor disse para a mulher Samaritana que enquanto ela buscvaa o contentamento na prostituição, indo de marido em marido, de cama em cama, ela nunca estaria satisfeita, ela sempre teria sede e procuraria saciá-la na promiscuidade, mas no dia em que ela bebesse da água que Ele tinha para oferecer ela nunca mais buscaria o contentamento nas cisternas rotas da vida. Pelo contrario, ela estaria satisfeita e contente unicamente Nele. Pois, o contentamento no Deus que Se revelou por meio de Cristo é como uma fonte que salta para a vida eterna.
Só assim oraremos e confessaremos como Agostinho:
“Como foi maravilhoso eu ficar repentinamente livre daquelas alegrias infrutíferas que antes eu tinha medo de perder! [...] Tu as expulsastes de mim; Tu, que és a verdadeira e a soberana alegria. Tu as expulsastes de mim e ocupastes o lugar delas [...] Ó Senhor, meu Deus, minha Luz, minha Riqueza, minha Salvação” .

DEUS AMA GLORIFICAR A SI MESMO PARA NOSSA ALEGRIA!
John Piper nos lembra que o alicerce do prazer [contentamento] cristão é o fato de que Deus é supremo em Suas afeições:
“O principal propósito de Deus é glorifica a Deus e ter prazer em Si mesmo para sempre”.
Parece-me que esta frase do Dr. Piper no evangelicalismo moderno soaria totalmente estranha. Os cristãos triunfalistas a colocariam desta maneira:
“O principal propósito de Deus é glorificar o homem e ter prazer no homem para sempre”.
Infelizmente, o contentamento de muitos que se dizem crentes em Jesus está neles mesmos e na satisfação de seus desejos egoístas em detrimento da glória de Deus e da edificação dos irmãos.
Hoje, parece que Deus foi destronado e o homem entronizado. Deus tornou-Se um mero meio para a satisfação dos desejos de homens sanguessedentos por si mesmos e por suas próprias platéias e famas. Deus vive para nós, reverbera o evangelicalismo humanista brasileiro!

Sacudindo esse humanismo podemos dizer como o velho Catecismo coloca: “O fim supremo e principal do homem é glorificar a Deus ao gozá-Lo plena e eternamente”.
Veja que a nossa alegria não está nos dons de Deus, nem em nós mesmos, mas UNICAMENTE NELE PARA ELE E POR ELE! Então glórias, pois a Nome Dele por meio de Cristo Jesus para nossa eterna alegria Nele! Amém!
É totalmente arrogante e antibíblico tentar adorar a Deus por qualquer outra razão que não o prazer de estar Nele, diz John Piper . Adorar a Deus é reconhecer que Ele é supremo em Suas afeições procurando glorificar a Si mesmo para nossa eterna alegria! A nossa alegria e a glória de Deus são faces da mesma moeda. Deus, como coloca muito bem o Dr. Piper, é mais glorificado em nós quanto mais nos alegramos Nele. Quanto mais procuramos nos deleitar em Deus como a fonte de nossa verdadeira e perene alegria mais glórias Deus terá por meio de nossa busca da alegria Nele. Pois, quando Nele buscamos a alegria Ele é glorificado como a fonte da verdadeira alegria.

Buscar a felicidade não é pecado; isto é um traço comum da natureza humana. Pecado é buscá-la na fonte errada (nós mesmos, nas coisas desta vida passageira) e não na certa (no Deus que Se revelou em Cristo Jesus).
Não devemos jogar a nossa vida fora buscando o contentamento em nós mesmos e nas coisas não eternas. Só buscando-o (contentamento) em Cristo Jesus, nós conseguiremos salvar nossa vida. Foi Cristo mesmo quem disse: “Se alguém perder a sua vida por amor de Mim achá-la-á”.

Que Deus possa continuar abrindo nossos olhos para que tenhamos a visão de que somente na presença Dele há plenitude de alegria e delícias perpétuas (cf. Sl 16.11).


Soli Deo Gloria!

quarta-feira, junho 09, 2010

JESUS um Simples Mestre e Grande Psicólogo?


O1. Perfil de Personalidade.
Depois de Philip Yancey falar sobre alguns aspectos cativante da personalidade do Senhor Jesus, como “um homem com carisma”, que o povo ficava sentado por três dias sem intervalo, sem comer, apenas para ouvir suas palavras instigantes. Um homem emocionado, impulsivamente “movido pela compaixão” ou “cheio de piedade”. Três vezes, pelo menos, Ele chorou na frente dos Seus discípulos. Ele teve súbita simpatia por uma pessoa leprosa (Mt 8). Um rasgo de raiva diante dos legalistas frios, tristeza por causa de uma cidade não receptiva.
Contudo, diz Philip Yancey, devido a todas as qualidades que remetem para o que os psicólogos gostam de chamar auto-realização, Jesus quebrou o protocolo. Como C. S. Lewis diz: “Ele não foi de maneira nenhuma o quadro que os psicólogos pintam de cidadão integrado, equilibrado, ajustado, feliz no casamento, bem-empregado, popular. Não podemos realmente estar “bem-ajustados” ao nosso mundo se ele nos diz ‘vá para o inferno’ e nos acaba pregando nus a um poste de madeira” .


02. As Bem-Aventuranças.
As bem-aventuranças podem ser consideradas a introdução do Sermão do Monte pregada pelo nosso Senhor. Parece-nos, como alguns têm acreditado que as bem-aventuranças são desenvolvidas em todo o Sermão em si. Aliás, podemos afirmar que as declarações do Senhor Jesus contidas neste maravilhoso Sermão é o âmago de toda a Sua mensagem e Sua Pessoa. Como disse acertadamente Philip Yancey “Se fracasso em entender esse ensinamento [Sermão do Monte], fracasso em entendê-Lo” .

Que significado podem as bem-aventuranças ter para uma sociedade que honra o agressivo, o confiante e o rico? Bem-aventurados são os felizes e os fortes, diz a sociedade em que vivemos. Bem-aventurados os que têm fome e sede de divertimentos, os que procuram se vingar e ainda os que procuram agradar o N0 1.
Alguns psicólogos e psiquiatras, seguindo a liderança de Freud, apontam para as bem-aventuranças como prova do desequilíbrio de Jesus. Um notável psicólogo britânico disse num discurso preparado para a Sociedade Real de Medicina:

“O espírito de auto-sacrifício que permeia o cristianismo e é tão altamente valorizado na vida religiosa cristã é masoquismo moderadamente consentido. Uma expressão muito forte dele se encontra nos ensinamentos de Cristo no Sermão do Monte. Esse abençoa os pobres, os mansos, os perseguidos; exorta-nos a não resistir ao mal, mas oferecer a outra face para ser esbofeteada; e a fazer o bem aos que nos odeiam, perdoando aos homens as transgressões. Tudo isso tem cheiro de masoquismo” .

Com essas palavras vemos a falta de compreensão tanto da Pessoa de Cristo quanto de Seus ensinos. Outro exemplo disso é o grande escritor Augusto Cury com mais de cinco (5) milhões de livros vendidos no Brasil. Podemos admirá-lo pelas suas penetrantes palavras dentro do seu contexto psicológico. Mas, infelizmente, como aconteceu com muitos, o Dr. Cury erra em interpretar muitos dos textos das Escrituras sob sua ótica psicológica. Talvez ele, como muitos outros cientistas que afirmam que as Escrituras não são precisas, por exemplo, quando dizem que o sol se põe e outros detalhes neste sentido, erram em não reconhecer o propósito teológico dos fatos e, as palavras registradas nas Escrituras numa visão fenomenológica.
Por exemplo, depois de Cury receber críticas de suas idéias errôneas de que “Deus sente necessidades psíquicas e que experimentou solidão”, ele diz:

“[...] insisto que a análise de determinados textos bíblicos, sob o ângulo da psicologia e da filosofia – e não da teologia –, demonstra que, se o Deus real e auto-existente não experimentasse uma indecifrável solidão no teatro da Sua psique, provavelmente continuaria vivendo numa clausura eterna. A eternidade seria para Ele uma prisão. Não teria nenhuma necessidade de inspirar, criar, relacionar-Se” .

Na página 14 Cury diz: “[...] E como tal [ou seja, Deus] possui uma personalidade concreta com necessidades psíquicas vitais” . E continua dizendo que “[...] Deus não é um computador universal, uma energia cósmica ou um criador insensível e auto-suficiente. Deus é Pai. Como Pai, Ele foi preso na armadilha da própria emoção, onde se destaca uma dramática solidão. Como Pai, Ele tem necessidade incontida de construir uma rede de relacionamentos com a humanidade, para trocar experiências, interagir, irrigar sua emoção com prazer”.
Infelizmente, esta é uma visão bastante distorcida do Deus revelada nas Escrituras Sagradas. Cury erra em muitos pontos em seu livro A Sabedoria nossa de Cada Dia: Os Segredos do Pai Nosso 2.
O problema da análise do Dr. Cury é que ele encaixota Deus dentro das limitadas necessidades humanas vistas pela psicologia. No final de sua análise (Cury), não temos o Deus revelado nas Escrituras, mas um grande homem com necessidades psíquicas, que não está satisfeito com sua vida eterna solitária que chamamos pelo nome de “Deus”. O que temos não é o Deus que Se auto-revelou nas Escrituras, mas a própria imagem de Augusto Cury. Ou seja, um deus feito a própria imagem do entendimento psicológico do Dr. Cury.

Deus não é um Grande Homem Cósmico com profundas necessidades psíquicas enclausurado na eternidade.
Porque Deus é a Realidade Última, devemos medir tudo em relação ao critério de Sua auto-revelação e de Sua obra, a partir do que Ele diz, sem tentar fazê-Lo se encaixar em nossas próprias imagens e imaginações pessoais como faz Cury. O grande problema de Cury é que ele encaixota a personalidade de Deus dentro da moldura da personalidade humana. Ou seja, ele descreve a Deus como um simples ser humano. Ele “analisa” Deus como se Ele tivesse as mesmas necessidades psíquicas que um ser finito como o homem possui. Ele esquece que Deus é o Criador auto-suficiente de toda a personalidade e não uma réplica grande do homem e suas necessidades. Com isso afirmo que a personalidade de Deus é infinitamente maior e diferente da do homem. Sendo a deste um reflexo turvo da personalidade do Deus Infinito.

James I. Packer comenta corretamente sobre o perigo de concebermos uma imagem de Deus que, em última análise é produto de nossa especulativa imaginação:

“Ouvimos freqüentemente expressões como esta ‘Eu gosto de pensar em Deus como o grande Arquiteto (ou Matemático, ou Artista)’. ‘Eu não penso em Deus como um juiz: gosto de pensar nEle simplesmente como um Pai’. Sabemos por experiência como essas expressões servem de prelúdio à negação de alguma coisa que a Bíblia nos diz a respeito de Deus. É necessário que se diga com a maior ênfase possível que quem se considera livre para pensar em Deus como gosta está infringindo o Segundo Mandamento. Na melhor das hipóteses, podem pensar em Deus apenas como um homem, talvez um homem ideal ou um super-homem, mas Deus não se iguala a nenhum tipo humano” .


É exatamente isso que observamos na psicologização das Escrituras feitas por Augusto Cury. Quando a Escritura diz que somos feitos à imagem de Deus (Gn 1.26,27), não significa que devemos pensar nEle de acordo com nossa imagem, pois pensar em Deus desse modo é ser ignorante a Seu respeito, não O conhecendo. Pensar desta forma é cair no erro da especulação filosófica e psicológica em vez de nos debruçarmos na revelação bíblica. Fazer isto é nos tornar adoradores de imagens produzidas por nossa imaginação e especulação. No final tudo se reduz a pura idolatria. O deus de Augusto Cury, que sente necessidades psíquicas, é um produto de sua própria imaginação especulativa, portanto é idolatria.
Outra vez leiamos o alerta do Dr. James I. Packer:

“As imagens enganam os homens. Elas projetam idéias falsas a respeito de Deus. O modo inadequado como O representam perverte nossos pensamentos a Seu respeito, e incutem em nossas mentes erros de todos os tipos sobre Seu caráter e vontade” .

A Bíblia não ordena a crença num deus; mas ordena a crença no Deus. O primeiro dos Dez Mandamentos proíbe a idolatria, não o ateísmo. O grande perigo da civilização não é que ela não crerá em Deus, mas que eles se entregarão a fantasias, a imaginações ímpias e a demônios .

O que salientou James Kennedy com respeito à doutrina da predestinação serve como verdade para o que estamos falando. Ele diz: “O motivo por que tantas pessoas se opõem a essa doutrina [predestinação] é que elas querem um Deus que seja qualquer coisa, menos Deus. Talvez lhe permitam ser algum psiquiatra cósmico, um pastor prestativo, um líder, um mestre, qualquer coisa, talvez... contanto que Ele não seja Deus. E isso por uma razão muito simples [...] elas mesmas querem ser Deus. Essa sempre foi a essência do pecado – o fato que o homem pretende ser Deus” .
A nossa grande tragédia é que pensamos sobre Deus em nossos moldes finitos. O que devemos fazer é nos quedar humildemente diante da revelação de Deus de Si mesmo e, não ficar especulando sobre Deus.

No texto do Evangelho do Senhor Jesus Segundo João (14.7-14) temos uma clássica exposição de nosso Senhor mostrando (revelando) quem Ele é. Nosso Senhor revela quem realmente Ele é em termos inconfundíveis, incontestáveis e aurifulgentes: “Quem Me vê a Mim vê o Pai” (v.9); “[...] Eu estou no Pai e que o Pai está em Mim” (v.10).
O que o Senhor Jesus revelou aos Seus discípulos e a nós neste texto? Uma coisa é certa: ELE É DEUS! Eles tinham ouvido as Suas afirmações de deidade antes e haviam presenciado a prova disso em Suas obras. Ele tinha acabado de dizer que era o caminho para Deus, a verdade sobre Deus e a própria vida em Deus (v.6). E, agora, Ele vai um passo adiante nos versículos 7 a 10 e afirma em termos inequívocos ser Deus. Suas Palavras devem ter sido surpreendentes porque a declaração era tremenda para os judeus.
Nenhuma pessoa razoável vai simplesmente desconsiderar a alegação de Jesus de ser Deus (só Cury e outros estudiosos). A simples, central e mais importante de todas as questões sobre Jesus é a que trata da Sua deidade. Qualquer pessoa que estude a vida de Jesus tem de confrontar esse assunto, por causa do que o Novo Testamento ensina. Alguns concluem que Jesus era um insano, que tinha mania de grandeza. Outros acreditam que Ele era uma fraude. Outras ainda tentam dizer que Ele era apenas um bom mestre (olá dr. Cury!), mas isso na realidade não é uma solução, porque bons professores não afirmam ser Deus. Se não fosse Deus encarnado o Emanuel Ele seria um insano, ou uma fraude e ainda um mestre da moral louco. Em vista dessas opções, o ensaísta cristão, C. S. Lewis, corretamente observou que “a única coisa que nós não podemos dizer” sobre Jesus é que Ele foi “um grande mestre de moral”, mas não Deus. Lewis mais adiante anotou:
“Um homem que fosse meramente um homem e dissesse as coisas que Jesus disse não seria um grande mestre de moral. Seria um lunático – como o homem que diz ser um ovo frito – ou então seria o Diabo do Inferno. Você tem que fazer a sua escolha. Esse homem era, e é, o Filho de Deus ou então é um lunático ou alguma coisa pior” .

Sabélio, um herege e o precursor da seita dos unitarianos, ensinou que Jesus era somente uma radiação, uma manifestação de Deus. Mas Ele não é meramente uma manifestação de Deus; Ele é o Deus bendito eternamente. O Senhor Jesus é o Deus bendito que Se manifestou. Como disse o grande defensor da divindade do Senhor Jesus na História da Igreja, Atanásio: “Ele tornou-Se o que não era (Homem, não simples homem, mas teologicamente falando, DEUS-HOMEM); mas continuou sendo o que sempre foi (DEUS!)”. Existe uma significante diferença. Jesus é, de modo único, um com, mas distinto de, o Pai – Deus evidente em carne humana.
Em João 14.7-10 o Senhor Jesus faz a muito simples, indisfarçada reivindicação de que Ele é não menos que o próprio Deus.

A minha exortação a todos é fazer coro a voz do profeta Oséias que falou destemidamente em alguns textos:
“O Meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento. Porque tu, sacerdote, rejeitaste o conhecimento, também Eu te rejeitei, para que não sejas sacerdote diante de Mim; visto que te esqueceste da Lei do teu Deus, também Eu Me esquecerei de teus filhos” (Os 4.6). Que tragédia quando um pastor, líder ou cristão ficam inventados conhecimento em vez de se debruçarem na revelação da Palavra de Deus!

“[...] o povo que não tem entendimento corre para a sua perdição” (Os 4.14).
E isto eles fazem celeremente!

“Conheçamos, e prossigamos em conhecer ao SENHOR: como a alva a Sua vinda é certa; e Ele descerá sobre nós como a chuva, como a chuva serôdia que rega a terra” (Os 6.3).
É certa a manifestação de Deus quando prosseguimos em conhecer a Deus!
Que o nosso anseio possa ser: “Pois misericórdia quero, e não sacrifício; e o conhecimento de Deus, mais do que holocaustos” (Os 6.6).

É o Deus da Bíblia que precisa ser conhecido e não o “nosso” deus. É o Deus da revelação que precisa ser conhecido e não o deus da invenção psicológica, filosófica ou qualquer logia de qualquer homem. Precisamos conhecer a Autobiografia de Deus (As Escrituras) e não alguma “biografia” de um homem a respeito de Deus. Queremos e precisamos de Deus que fale conosco e não de alguém que exponha suas idéias sobre Deus. O que estou querendo dizer é que somente nas Escrituras Sagradas temos a infalível e inerrante revelação que Deus deu de Si mesmo por meio de Cristo e pelas Palavras ensinadas do Espírito Santo.



Soli Deo gloria!

sexta-feira, março 12, 2010

O Clube Cristão ou A Igreja de Cristo?


Muitas igrejas no Brasil, infelizmente, estão uma bagunça. Teologicamente são indiferentes, confusas e perigosamente erradas e, bem como aceitando meias verdades, que são piores do que a mentira, como também verdades incompletas e truncadas. Moralmente vivem vidas indistinguíveis da do mundo. Elas geralmente têm um monte de gente, dinheiro e atividades. São grandes igrejas com grandes atividades religiosas. Têm nome de que estão vivas, mas estão mortas. Dizem-se ricas e bastadas, mas são miseráveis, pobres, cegas e nuas. São totalmente carentes da graça que vem unicamente do Cristo que está do lado de fora de suas reuniões antropocêntricas.

A grande pergunta é: Será que estas igrejas são realmente uma igreja visível que reflete as características da verdadeira igreja invisível, ou será que elas se se degeneraram em clubes peculiares, em clubes que desejam satisfazem as necessidades sentidas de seus associados?

O que deu errado? No centro desta enorme confusão existe um fenômeno simples: as igrejas parecem ter perdido o amor e a confiança na Palavra de Deus. Eles ainda carregam Bíblias e declaram a autoridades das Escrituras. As pessoas ainda dizem que a Bíblia é a única regra de fé e prática, pelo menos esse é seu credo teológico. Estas igrejas ainda têm sermões com base em versículos da Bíblia e ainda têm aulas de estudo da Bíblia. Mas, não muito da Bíblia é realmente lido nos seus cultos. Seus sermões e estudos normalmente não examinam a Bíblia para ver o que ela realmente diz de importante para o povo de Deus. Muitos dos atuais palestrantes não examinam a Bíblia em seus diversos contextos hermenêuticos, negligenciando a verdadeira interpretação da Palavra de Deus para o povo de Deus. Cada vez eles tratam a Bíblia como petiscos de inspiração poética, de psicologia pop e de auto-ajuda, conselhos terapêuticos e coisas afins. Congregações onde a Bíblia, a Palavra eterna de Deus, é ignorada ou abusada estão em grave perigo. Igrejas que se afastam da Palavra de Deus vão logo descobrir que Deus Se afastou delas. Igrejas que menosprezam a Palavra de Deus serão menosprezadas por Deus. Igrejas que se cansam das verdades divinas serão também motivo de cansaço divino.

Eis ai o problema diante de nós! Qual a solução que a Bíblia ensina para esta triste situação? A resposta curta, mas profunda é dada por Paulo em Colossenses 3.16: “Habite, ricamente, em vós a Palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, com gratidão, em vosso coração”. Precisamos que a Palavra de Cristo habite rica e abundantemente em nossas igrejas para que possamos conhecer as verdades de Deus para nossas vidas. Saber o que Deus pensa é muito mais importante para nossas vidas. Precisamos estar preocupados menos com as “necessidades sentidas” e mais preocupados com as necessidades reais dos pecadores perdidos conforme ensinada na Bíblia Sagrada, a Palavra de Cristo.

Neste grandioso texto aos santos na cidade de Colossos, Paulo, os exorta a viverem de acordo com a Palavra de Cristo que deve habitar ricamente entre eles (ou “em vós” = ambas as traduções são possíveis, pois somente quando a Palavra habita dentro dos corações é que ela habitará entre o povo de Deus)[1]. A Palavra de Cristo deve governar cada pensamento, palavra e ação, sim, até mesmo os desejos e motivos ocultos de cada membro da igreja, e assim deve dominar entre todos eles, e isto ricamente, “produzindo muito fruto” (Jo 15.5). Isto acontecerá se os crentes nas igrejas observarem a Palavra (Mt 13.9), manejarem-na corretamente (2Tm 2.15), esconderem-na nos seus corações (Sl 119.11), e apresentarem-na a outros como sendo, na verdade, “a Palavra da vida” (Fp 2.16).

E cada membro comprometido com a rica Palavra de Cristo deve, indistintamente, instruir e aconselhar mutuamente uns aos outros em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão em cada coração. Pois, tudo o que fizermos, seja em palavra, seja em ação, devemos fazê-lo em Nome do Senhor Jesus, dando por Ele graças a Deus Pai (Cl 3.17).

Só assim teremos não um clube religioso para satisfazer as necessidades sentidas, mas teremos uma igreja que ama a Palavra de Cristo e glorifica a Deus por uma vida de verdadeira santidade! É somente a Palavra de Cristo em nós e entre nós que pode revelar e satisfazer as verdadeiras e essenciais necessidades da humanidade. Portanto, que cada ministro e que cada cristão procure e se esforcem diligentemente para compreenderem e amarem a Palavra de Cristo.


Soli Deo Glória!


Atenciosamente, vosso servo em Cristo Jesus,


Pr. F. Ivan Teixeira da Silva.



[1] William Hendriksen, Comentário do Novo Testamento: Exposição da Carta aos Colossenses, pg. 201. Editora Cultura Cristã.